4 de abril de 2016

Drunk in Love - Harry Styles

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                                   Capítulo 2 - Perdida
                                                                      SeuNome Stroome
                         
                                 "Nosso objetivo e satisfazer"
                                                                           50 Tons de Cinza

   - Tem café nas minhas bolas e eu não sei lidar com isso! - gritou alto o suficiente pra todos do andar ouvirem. Maravilha.
   Tinha a cabeça parecida com uma bigorna gigante e os olhos esbugalhados de raiva. Eu o entendo, também ficaria dessa forma se a funcionária nova derramasse café certeiramente lá. E se eu fosse um homem meu desespero seria ainda maior. Ele parecia em pânico. Fazia movimentos para aliviar a dor.
   Movimentos que só não eram mais estranhos que a sua cabeça.
   Meu peito subia e descia em nervosismo, enquanto eu reavaliava os últimos acontecimentos e meu coração batia de uma forma angustiante, me deixando mais e mais apreensiva. Fiz uma nota mental da situação, me controlando pra não entrar em desespero e começar a chorar.
  1) Eu tinha que trazer uma série de documentos para o senhor Styles antes da reunião de hoje. Tinha que tirar xerox de todos eles e trazer um descafeinado bem quente ao mesmo tempo.
  2) Eu devo ter me enrolado em algum lugar entre o "trazer o café" e o "tirar xerox" e agora o cabeça de bigorna não para de gritar e eu queria que se calasse.
  3) Ele não iria se calar porque fui em quem derramou café quente nos documentos da reunião e nos "documentos" dele.
  4) A irritação do cabeça de bigorna deixava sua cabeça maior e eu não conseguia parar de rir.
  - Você está rindo! - berrou. A bigorna gigante ficando vermelha.
  Não diga...
   - Eu...ahn...M-me desculpe cabeça de bigorna, eu...
   - Do que você me chamou?
   Ai, meu Deus, SeuNome!
  - E-eu... - tremi sem saber o que fazer com a minha cara. Eu precisava ajudá-lo! É claro que precisava. O café ainda tinha vapor, imagine o que deve ter feito...Vamos, ande! Você precisa fazer alguma coisa. E se ele nunca mais puder ter filhos? E se ele puder? E se seus filhos nascerem com cabeça de bigorna e corpo de café? - Ah, já sei!
   Tive uma ideia brilhante!
   O que alivia queimaduras deve ser, provavelmente, o oposto ao fogo!
   Entreguei a ele uma vasilha que usavam pra limpar a máquina de xerox e pedi que ele despejasse seu conteúdo dentro das calças, mas ele me pareceu receoso. Então eu mesma o fiz. E esperei a expressão de alívio em seu rosto para finalmente me acalmar daquela crise de pânico.
   Mas ela não veio.
   Ao invés disso, sua expressão foi algo mais desesperado e prestes a ter um infarte ou algo parecido. Ele deve ter abrido a boca umas trinta vezes antes de começar a gritar como uma ambulância.
   Ué...qual o problema em jogar gelo?
   A minha dúvida permaneceu até eu olhar dentro da vasilha e constatar que lá não havia gelo algum e sim álcool. Álcool.
   Ah...então é assim que limpam o xerox.
   Droga, droga, droga...
   Enfiei as mãos entre os cabelos em pânico. É...eu ia chorar. Talvez o meu raciocínio não funcione tão bem assim quando estou prestes a ter um AVC ou algo do tipo.
   Ele estava com a cara vermelha e apertava os olhos e a masculinidade com força.
   - Senhor...e-eu...e-e-eu...- senti meu coração querer fugir da boca.
   - Não. Saia daqui. Fique longe de mim! - tentou soar grosseiro, mas parecia estar com medo. De quê? - Por favor...
   Ah, sim...
   Da louca que jogou álcool dentro das calças dele.
   Se eu jogasse café iria resolver? Ou iria pegar fogo?
   Peguei o café e ele gritou e se contorceu. Algo na sua expressão me fez crer que ele queria correr.
   - Senhor eu...me desculpe! Por fav...e-eu posso concer...
  - Não! Fique longe de mim! - bateu o punho com força na mesa derrubando o relógio. Mais um que se quebraria.... Observei as horas nele e tive certeza que se meu coração não parou antes, parou agora.
   O café quente e os documentos copiados.
   Eram pra ter sido entregues a dezessete minutos atrás para o início da reunião.
   Minha respiração estava acelerada e meus olhos arregalados. Meu coração batia forte e doía. Eu sentia a minha espinha gelar. Não tive certeza de qual velocidade exatamente eu comecei a correr, mas deve ter sido bem rápida, porque quando eu avancei em direção a porta ao lado do Cabeça de Bigorna ele fechou os olhos em pânico e eu senti como se alguma coisa em mim tivesse derramado nele. E...derramou mesmo.
    Foi o álcool. Nos olhos.
    Ai meu Deus...
    Desculpe.
   Continuei a correr e descer escadas sentindo as minhas pernas tremerem. Sentia como se meu coração tivesse errado uma batida ou duas. Eu havia feito tudo errado, justo no dia em que não poderia errar. As recomendações eram impressionar em meu primeiro dia pra apagar de vez a imagem pouco organizada e muito ansiosa que talvez eu tenho deixado passarEu havia preparado o café lutando para não me atrasar, molhado os documentos imaginando não me atrasar, castrado o cara do xerox enquanto pensava em não me atrasar....
   E me atrasei.
   Mas pelo menos o café continuou quente...
   Tudo ainda estava muito embaçado e eu ainda corria como uma louca. Quando eu o vi. Minhas pernas tremeram e minha boca ficou seca. Minha visão estava turva e tudo tremia. Estava distante, não havia me visto. Eu estou aqui. Por que ele está saindo? Ele não vai me esperar? Mas e as folhas? E o café? E a explicação? Tentei avançar, mas algo me impedia. Eu queria dizer que o que me impedia eram as minhas pernas que haviam petrificado com o nervosismo ou algo mais filosoficamente aceito, mas não era exatamente isso.
   Duas mãos. Segurando os meus ombros. Dois olhos tentando manter contato visual com os meus, enquanto eu tentava olhar pra ele. Por que estava indo embora?
   Dessa vez usava um terno preto, tão justo e alinhado ao corpo que eu podia ver perfeitamente os seus músculos. Seu andar e posição impunham mais poder do que normalmente demonstrava. Estava tão altamente sexual, como se em volta de si houvesse uma áurea do sexo, lhe circulando e prendendo os olhares em si, quase surreal. Eu me sentia quente, mesmo em meio ao frio insuportável daquele lugar, algo em mim estava aquecendo e eu fechei os olhos já sabendo o que era. Respirar estava sendo difícil.
   Entrou em um elevador transparente que subia rápido demais, como um elevador não deveria subir. E a funcionária que antes estava nele abaixou a cabeça, pediu desculpas e foi pra outro elevador.
    Engoli em seco.
   Tentei avançar, mas fui parada novamente.
   - E-ele já está indo...
   - Sim. Ele me disse tudo o que você precisa saber. - ainda tentava forçar contanto visual, mas eu não queria ver - Fique calma.
   Calma.
   Eu deveria ficar calma.
   Ainda receosa o vi sair e ignorar todos a sua volta, inclusive as tentativas frustradas de uma funcionária de chamar a sua atenção. Encarei a mulher a minha frente, os grandes e espertos olhos azuis pareciam denunciar o quanto sua boca queria falar desesperadamente. Já havia a visto antes, talvez no dia da entrevista de emprego. Distante, me observando. Talvez me lembre tão vividamente dela porque ela não me lançou o mesmo olhar dos outros, não me encarou com superioridade. Seu olhar foi um tanto...indecifrável.
   Ela já tagarelava a minha frente sobre algo que eu jamais saberia. Era algo sobre alguém que ficou com muita raiva e algo sobre essa pessoa estar pegando o que deveria ter pegado á dezessete minutos. E talvez algo sobre uma reunião.
    - E a reunião deve começar em... - olhou algo em um aparelho grande e transparente - Cinco minutos. Mas eu gosto de antecedência, então estamos atrasadas.
    Eu tremi inteira. Talvez como nunca na vida. E arrepiei. Os dois ao mesmo tempo, e talvez não exista sensação mais ruim no mundo. Eu sabia de quem ela falava.
   - E-eu... - devo ter respirado umas trinta vezes antes de falar. Eu sentia o meu coração alto dentro de mim. Ela nunca iria entender. - Eu não sei o que fazer.
    Desespero.
    Depois do fiasco que foi a minha entrevista, tudo o que eu menos queria era ficar no mesmo ambiente que ele novamente. Só que eu jamais saberia explicar isso pra moça a minha frente. Apertei minhas mãos que estavam tremendo e suando mais do que deveriam, ainda mais com ela tagarelando a minha frente e me puxando pra um lugar que eu - infelizmente - sabia muito bem aonde era.
    Vê-lo novamente. Meu estômago se contraiu.
    A voz, o olhar, as palavras...
    Não. Por favor, não.
   O número de situações constrangedoras que eu consigo me meter é inacreditável.
   - Não acredito! - nem eu...- Somos de mesmo setor!
   - Ah...isso é bom. - disse sem jeito, respirando com dificuldade.
   - Bom? Isso é ótimo! Já sabe aonde é a sua sala? Já está por dentro das regras? Conhece o depósito? E seu buenny, já pegou? - ela falava e falava. Parecia querer se controlar entre uma pergunta e outra, mas logo lhe vinha outra coisa muito melhor para perguntar.
   - Hm... - eu realmente não conseguia me comunicar com alguém que falava tanto, sendo o tipo de pessoa que ás vezes sentia a voz falhar por falta de uso - Bu...
  -...enny. Buenny. - me ajudou - Não tem, huh?
  - Não. - ela pareceu surpresa - Eu acho...eu acho que não - completei receosa.
  - Ah, mas isso nós podemos resolver! Todo mundo aqui tem, são normas. Página sessenta e cinco no livro das regras. - a empresa tinha um livro com mais de quatrocentas páginas. Como alguém poderia ler tudo aquilo e decorar?
   - Disso eu sabia - menti, sem graça. Me sentia boba por não saber.
   - Então vamos pegar o seu. - sorriu. Mas não parecia ser o tipo de pessoa simpática que ri de tudo.
   Foi marchando pra outra direção. Tinha uma grande tela moderna na parede, ela simplesmente tocou no meio e...
   - Você toca e ela se acende - dizia tão rápido que era difícil de acompanhar - Depois você sorri e... diga x.
   - X?
  Um flash veio diretamente nos meus olhos e eu temi ficar cega. Mal tive tempo de reagir e ali estava o meu rosto na tela.
   - Ficou horrível...
   - Eu sei. - ela disse ainda mexendo em algo naquele troço - É como como uma câmera frontal de um celular caro, a imagem pode estar perfeita, mas seu rosto vai ficar horroroso se for pego em um ângulo ruim.
   Mas ela não parecia estar nem aí para tirar outra melhor.
   - Hm...vigésimo nono andar. Certo, você fica bem perto da minha sala. E é disso que eu estou falando! Por isso precisamos de instrutores nesse lugar, o sistema daqui é impossível de se decorar - mas eu não duvidava nada que ela já o tenha decorado. - Ah, meu nome é Pam Ross.
   - SeuNome. Ahn, SeuNome Stroome.
   - Ah, então você é a... - parou como se estivesse dito uma bobagem. Espera, como ela sabia sobre mim? O que ela sabia sobre mim? - A SeuNome. Legal...
   Não era isso o que você ia dizer.
   Voltou a ir em direção ao elevador me deixando petrificada no mesmo lugar. Não conseguia me mexer, mas não era porque ela tinha se afastado - eu teria conseguido sair de lá, eu sei que conseguiria. Mas por conta de algo muito...pior. Eu vi algo.
   Algo que nunca imaginei ver ali.
   Um olhar. Congelante, invasivo e cinza. Minha espinha gelou ao constatar que aqueles olhos tinham de fato o tom cinza. Era cortante e assustador. E talvez pior que aquele olhar, só a dona dele. Os braços cruzados, a pose desleixada naquele ambiente tão formal, as roupas pretas e o olhar sombrio e assassino. Tentei sair dali normalmente mesmo com aqueles dois icebergs cravados em mim, juro que tentei ignorar e andar quando senti uma sensação horrível me atingir. Mas o que provavelmente me tirou dali foi a voz da moça que falava demais, e pela primeira vez naquele dia eu agradeci por ela falar tanto. Me afastei ainda sentindo medo. Aqueles olhos cinzas...pareciam tão carregados. Olhei ao redor e notei olhares atravessados na minha direção. Por que estavam me olhando daquele jeito? O que eu fiz?
    Talvez eu seja menos aceita nesse lugar do que imaginava.

                                                           **********************

    - Energúmenos! Nada mais que isso. - seu tom era frio e impassível. Observava por cima todos sentados ali, como uma águia observando sua presa. Eu via as pessoas tremerem. Ele nunca olhava pra ninguém especificamente - Por que é tão difícil me trazerem uma proposta decente?
    Tudo estaria silencioso se não fossem as respiradas desesperadas de algumas pessoas ali. E eu não estava muito diferente, sentia que meus pulmões iam partir com as batidas de meu coração.
   Nunca havia visto alguém dominar uma reunião daquela maneira.
   - Digam alguma coisa. Se eu quisesse falar sozinho comprava um espelho. - frio.
   Eu não conseguia encarar nada que não fosse a mesa a minha frente. Sentia a minha visão ficar turva e o suor frio se formando em minha testa, tudo estava me deixando desconfortável. O lado esquerdo daquela sala impecável estava quente, o lado em que ele estava sentado. Torci várias vezes pra que alguém dissesse algo logo, porque se eu fosse falar iria gaguejar, dizer tudo rápido ou baixo demais. Por favor, digam algo. 
   Por favor.
   - Eu...ahn... - quis abraçar Pam quando ela começou a falar, mesmo insegura. A alguns minutos atrás ela era admiravelmente comunicativa e desinibida, mas após entrar no mesmo ambiente que ele, as palavras pareceram fugir de sua boca, sendo substituídas por sons incompreensíveis. Eu a entendia. - Acho que o marketing sempre resolve. Quer dizer, o marketing seria a solução perfeita. Por que...uh...as tecnologias daqui são extraordinárias. Não há o que melhorar.
   Sim, marketing! Era a solução perfeita, é claro. A empresa havia acabado de lançar novos modelos de tablets e blootlous - um novo tipo de computador móvel produzido apenas na Style's Group Inc., nunca em outro lugar. O problema era que o investimento foi alto e as vendas foram um pouco mais baixas do que o esperado. Mas foi muito pouco, coisa de centavos.
      Mas ele não parecia estar nada feliz com a ausência daqueles centavos.
    - Parece que temos alguém com células cinzentas por aqui. Seu nome? - cerrou os olhos pra ela.
   Pra ela. Mas foi a minha boca que ficou seca. Fui eu quem estremeceu e apertou as coxas desconfortavelmente. O desespero subiu a minha garganta.
     - Ross. - respirou fundo - Pam Ross.
    - Pam Ross. - pronunciou seu nome devagar. Seu tom foi rouco e...droga. Tão baixo e sensual. Fechei os olhos. Poderia gemer se ouvisse aquela voz, dizendo o meu nome, sussurrando quente no meu ouvido. - Senhorita Ross, você tem um ponto maravilhoso, de verdade. Mas eu peço licença para discordar.
    Eu quase pode ver a minha boca se abrir. A minha e a de todas as pessoas presentes naquela sala. Ele iria achar defeito naquilo? Como? Aquilo era mesmo possível?
    - Marketing. Numa das maiores e mais lucrativas empresas do mundo. Não está pensando direito, senhorita Lan. Marketing para anunciar um novo produto. Um novo produto que já é cobiçado e comentado nos corredores de qualquer colégio em qualquer parte do mundo. Comerciais que são apresentados em todos os canais. Até os bordões usados nas propagandas viraram meme na internet. Marketing faria as pessoas conhecerem o produto, disso você não vai me ouvir discordar, mas elas já o conhecem. Todas elas. Não compraram porque o produto não lhes interessa. - seu tom foi firme. Quase cruel. Como se aquele último o fato de "não lhes interessar" fosse inadmissível.
   Mas lhes interessava. Foram centavos. Centavos!
   Pam abaixou a cabeça parecendo não ter ideia de como competir com aquilo. Seu olhar se direcionou a ela e sua cabeça abaixada e eu agradeci mentalmente por não ter sido eu. Se eu tivesse abaixado a cabeça naquele momento e ele me visse...se ele reparasse em mim...
    Eu já poderia sentir o meu coração parar.
    Talvez o meu único alívio esteja no fato de que ele ainda não havia me notado ali. Era como se eu não estivesse ali. Ele não sabia quem eu era, não sabia o meu nome, não se lembrava de nada. Isso era o que me aliviava e me fazia respirar um pouco menos desesperada.
   Sequei o suor das mãos na saia que Dallas educadamente me forçou a usar.
   Bateu os punhos com força na estrutura da mesa. O baque alto me assustou, quase me fazendo dar um sobressalto. Meu coração estava acelerado.
    As pessoas pareciam tremer.
   - Uma ideia. - rosnou ameaçador - Por que ninguém aqui tem a droga de uma ideia pra salvar os lucros dos lançamentos dessa queda vergonhosa? - centavos. Era realmente vergonhosa a falta de poucos centavos quando um produto já lucrou milhões - O que estão fazendo aqui? Para quê, exatamente, estou pagando vocês? Eu deveria puni-los. - seu olhar dominador passeou por cada um. Mas nem ao menos me notou. Ótimo, assim está bom. Continue, por favor.
    - E-eu... - um cara, que parecia bastante intimidado, disse - Não consigo pensar em nada sem o meu computador. Eu poderia fazer uma pesqui...
   Ele o ignorou.
   - Não coloque a culpa da sua falta de compreensão e capacidade intelectual no seu computador.
   O homem e Pam tiveram a leve impressão de que ele educadamente duvidou de sua capacidade intelectual. E eu tive a leve impressão de que ele educadamente o chamou de burro.
   Seu olhar se voltou para o caderno preto a sua frente, como se olhar para as pessoas ali lhe irritasse. Minha respiração estava alta e pesada. Minhas pernas tremiam. Observei aquele caderno preto. O que será que havia nele? Por quê estava aqui? Eu me lembrava dele da entrevista de emprego.
    A entrevista de emprego.
    Pensei no quão surreal foi aquele entrevista. Em como tudo deu tão errado e tão certo ao mesmo tempo. Ainda podia sentir as minhas bochechas ficarem vermelhas e um incômodo no peito enquanto me lembrava, passei o último dia tentando me esquecer do que aconteceu ali, mas as lembranças sempre voltavam. Não contei nada a Dallas, não que ela não tivesse insistido até a morte e jogado as minhas calcinhas pela janela acertando a cabeça do carteiro, mas eu não cedi, estava envergonhada.
   E ainda estou.
   De repente, tudo começou a voltar e eu apertei as mãos na cadeira imaginando o quão constrangedor era encará-lo novamente depois daquilo. Depois do olhar profundo e intimidador, da intensidade focada em mim, das coisas que me deixavam inquietas e eram capazes de acelerar mais do que a minha respiração, das pernas tremendo, de algo queimando entre as minhas coxas. Foi como se enxergasse através de minhas roupas, a forma intensa e provocativa que se sentava, levantava, andava e observava. Meu olhar desceu de seus dedos até o seu caderno. Senti arrepios em áreas que eu nem sequer sabia ser possível. Desci o olhar até o seu abdômen. Passei a mão pela testa, limpando o suor que o nevosismo já me causava, só pra constatar o quanto a minha mão também estava suada e tremia. Desci mais um pouco até o seu membro. E...não consegui parar de olhar pra lá. Era tão surrealmente volumoso.
   - Não está me ouvindo, senhorita Serena? - arregalei os olhos. Minhas bochechas queimando, meu corpo tremendo.
   E eu olhei.
   Seu olhar estava fixo no meu.
   E não só o dele...
   Todos estavam olhando pra mim.
   Ele havia me chamada diversas vezes e eu não havia ouvido. Talvez meu coração tenha dado uma pontada ou duas quando constatei que ele e todos na sala haviam visto para onde eu estava olhando antes.
    Engoli em seco.
    Eu deveria falar.
    Ai...droga.
   Minha boca tremia antes que eu pudesse formar as palavras. Eu deveria olhar em seus olhos, mas não conseguia. Tudo tremia. Meu estômago se revirou e eu quis morrer.
   A minha espinha gelou.
   Eu via o seu poder sobre as pessoas ali. Estava sentado sobre a cadeira, com sua pose poderosa e autoritária. Sua expressão séria predominante. A mão apoiada na coxa direita, o olhar dominador e penetrante. A seriedade. Ele iria reclamar a qualquer segundo, de qualquer mínimo errinho, seria perfeccionista vendo a forma organizada como trabalha e gosta de sua mesa.
   - E-e-eu...ahn... - o que ele havia perguntado? -...p-p-or...E-eu a...a...acho...
   - Qual a sua solução? - repetiu a sua pergunta. Como se a minha atitude fosse patética.
   Puta merda.
   Minhas mãos tremiam demais. Eu podia sentir a minha garganta travada por mal usá-la. Devo ter respirado fundo umas trezentas vezes, enquanto sentia as minhas bochechas explodindo. Meu coração deu um sobressalto.
    O que eu diria? Eu não poderia dizer o que pensava sobre aquilo...poderia?
    - E-e-e-eu, ah...e-eu acho que... - todos me olhavam e eu não tinha noção de como reagir a aquilo. Aquele estava sendo o pior momento da minha vida. - E-e-eu...
   - Senhorita Stroome. Se continuar falando baixo e cortado dessa forma eu não poderei ouvi-la.
   Eu estava em choque. Não conseguia formar uma única palavra.
   Respirei fundo. Vamos! Diga de uma vez. Rápido e alto, como um espirro. Não faça nenhuma besteira.
   Sentia o meu corpo tremer.
   Pedir pra mim parar de fazer besteira era o mesmo que pedir a um doente para ficar curado.
   - E-eu acho que...não é preciso uma solução. Ahn...são apenas centavos.
   Achei que tinha dito enfim a coisa certa. Mas parei de achar no momento em que olhei para as pessoas ao meu redor e as vi arregalarem os olhos e me olharem de boca aberta. O que eu disse de errado? Qual era o problema?
    Bem...eu só percebi quando olhei pra ele.
    Seu olhar sério estava preso em mim. Ficou assim por um instante inteiro. Seu olhar parecia avaliativo, como se estudasse todas as minhas ações. Minhas mãos esfriaram e eu só queria correr dali.
     A sala entrou num silêncio de velório, se uma agulha caísse no chão todos poderiam ouvir. Todos olhavam pra ele, que ainda observava. Meu estômago dava voltas e voltas e eu me perguntava diversas vezes no que tinha errado.
     Ele se levantou lentamente e eu senti arrepios do tipo ruim.
     Puta merda.
     Engoli em seco uma, duas, três vezes. Sentindo como se dentro de mim, meu coração estivesse congelando.
     - Centavos. - disse, seu olhar circulando a mesa - Isso não importa pra você, é claro. Você deve achar loucura alguém que lucra milhões mensalmente se importe com míseros centavos. Deve estar rindo nesse momento dentro de sua mente pequena. - estremeci com o fim de sua frase. Mente pequena.
    O olhar de todos estavam cravados em mim e eu me sentia afundar naquela cadeira.
    Eu me sentia pequena.
    Me sentia minúscula.
    - Mas deveria saber que quando se investe algo em um produto, o esperado não é receber de volta o mesmo valor, é mais. Muito mais. O esperado é ganhar mais do que o dobro, nunca a mesma quantidade. Se não, não seria investimento e sim empréstimo, senhorita Helena. - Meu nome, ela não o sabia. Andava sexualmente em alguns pontos da sala, seu caderno entre os dedos. Observei suas costas enquanto planejava me jogar dentro de um buraco.
    Minhas bochechas queimando.
    Eu tremia muito, sentindo medo.
    Eu pude ver nos seus olhos. Estava com raiva.
    Porque eu me atrasei. Por ter estragado as chances de essa ser uma simples reunião, como sempre foi.
   Ele não gostava de mim. E, bem pior...
   Ele me odiava.
   Subiu as mangas de sua blusa branca e de botões lentamente e eu senti minha resolução falhar. O mínimo pedaço de pele exposto foi capaz de me fazer apertar as coxas.
    - Se Jordan Peters pensasse como você, não teria sido preso, gostaria de lembrá-la senhorita. - observou um ponto além da enorme janela da sala - Aquele senhor miserável que roubava dinheiro de contas bancárias. Roubava um centavo de cada uma. Apenas isso, nada mais. Os donos das contas não sentiam nem cócegas com a falta de um centavo. Mas ele... - apertou os mãos - Ele conseguiu juntar mais de sete milhões de dólares, apenas com aqueles míseros e insignificantes centavos.
    Por que eu tinha que ter abrido a boca? Poderia ter dito qualquer coisa. Poderia ter dito que concordava com o marketing ou que investissem menos naqueles computadores malditos. Mas não, eu tinha que ter falado mal de seus preciosos centavos.
    - Não deve considerar o que eu invisto pra isso aqui funcionar. Nos bilhões de centavos.  - suas mãos se direcionaram até os seios de uma funcionária. Eu vi os meus olhos se arregalarem e a minha boca se abrir, mas ele apenas pegou o óculos que estava preso a sua roupa. Eu vi a moça estremecer quando ele os limpou despreocupadamente e lhe direcionou um olhar severo - Tudo pra precisar ouvir que os centavos são insignificantes. Que estou sendo perfeccionista e exagerado. Tudo pra ter que me sentar numa mesa com energúmenos que não possuem a dádiva do raciocínio e não trazem ao menos uma proposta decente.
    Eu me sentia afundar e afundar naquela cadeira. Sentia que precisava sumir dali ou iria acabar ficando vermelha para sempre. Sentia um calafrio ruim se espalhar por meu corpo. Não queria que aquilo se repetisse novamente. 
   Ele sabia que era sexy. Sabia dos efeitos sexuais que causava nas pessoas. Sabia como deixar uma pessoa excitada ao nível do insuportável. Sabia que sua presença fazia pernas tremerem e respirações acelerarem. Sabia que fazia bocas secarem e uma parte bem específica do corpo molhar.
    Sabia de tudo isso.
   Por isso não me surpreendi quando ele puxou discretamente um objeto prateado de dentro do livro preto.
   Só não esperava que ao espremer os olhos, percebesse que o objeto prateado fosse uma algema.
   E, naquele momento, eu vi. Vi nos seus olhos que ele se lembrava exatamente do que aconteceu na entrevista de emprego.
    - Você. - apontou para a moça do óculos, que pareceu engasgar com a própria saliva - Quero que você fique no meu lugar e explique sobre o corredor do primeiro andar, não quero ter que gritar com ninguém hoje. - seu olhar passeou por cada um na mesa, até parar sobre Pam - Senhorita Sam. Venha até aqui.
    A moça se levantou.  E ela nos apresentou a mesa.
    Sim. Apresentou.
   Não apenas me mostrou e disse como trabalharia ali. Ela disse algo e aquela coisa esquisita respondeu. Com uma voz parecida com a que se ouve no google translate. 
   Era como um robô programado, é claro, mas não deixava de ser estranho. Principalmente pra alguém que nunca teve contato algum com tecnologias daquele tipo.
   - Um buenny para mim, por favor. - não. Aquela coisa não iria obedecer.
   Mas obedeceu. E ainda a chamou de "senhorita Duff". Não podia esperar para vê-la me chamar de "senhorita SeuNome" também.
   Pam se levantou e foi até onde ele havia lhe indicado, em um canto distante da sala. Se aproximou sutilmente de seu ouvido, seus lábios roçaram em sua orelha enquanto lhe sussurrava algo. Algo que ninguém poderia ouvir pois a moça do óculos estava falando.
   -...já devem saber que o corredor do primeiro lugar não é um lugar muito inteligente para se visitar.
   Voltei  minha atenção totalmente a ela quando ouvi aquelas palavras. Era um corredor. Simples, branco, luxuoso, limpo, dava pra confundi-lo facilmente com os outros corredores da empresa...se não fossem as longas faixas amarelas cobrindo a sua passagem. Ninguém sabia o motivo daquilo, ninguém se atrevia a pensar no que ocorreu ali, só desviavam o caminho e o olhar. A empresa entregou algumas regras pra poder trabalhar naquele prédio enorme sem se perder ou entrar numa situação consideravelmente grave. E entre suas regras, aquele corredor é citado de uma forma um tanto quanto rude. Alguns funcionários com muito tempo livre criaram algumas lendas e conspirações sobre isso, mas ninguém sabe ao certo em que acreditar.
    - Como sei como as coisas funcionam na cabeça de vocês, devem estar se perguntando o que diabos há lá. E a resposta é simples: tudo o que há aqui. Salas exatamente iguais, não a motivos para quererem arrumar uma demissão ou um processo passando por lá, sim? - sorriu e abaixou a cabeça. Já havia dito o suficiente e...ele havia passado ao seu lado. Talvez tenha parado por ter perdido a concentração ou por seu perfume, eu não saberia dizer. O observei sair, temerosa, e senti Pam se sentar novamente ao meu lado. Sussurrou que eu deveria pegar os balancetes com Chandler, o contador da empresa, depois começou a falar algo ao meu lado, mas eu não conseguia ouvir, só observá-lo.
    -...e ele se foi, não vai voltar, e disse que é bom que não faça nada errado ou...
   Pisquei os olhos diversas vezes. Sentia o meu coração dar saltos e meu estômago voltas, como se houvesse um circo sendo estreado dentro de mim.
    - Se eu fizer algo errado ele irá me punir? - disse trêmula.
    - Te punir? - ela perguntou retoricamente. Minha garganta ficava mais e mais seca. - Ele irá te demitir.

                                                         ***********************

   A primeira coisa que pensei quando cheguei ao sétimo andar foi que seria difícil e cansativo encontrar o contador da empresa. A segunda, foi que seria difícil  cansativo impossível achar o desgraçado.
   O lugar era um labirinto.
   Chandler, seu lindo, apareça.
   Nunca te pedi nada.
   Andei alguns passos. Eu deveria pedir informação? Mas pra quem? Observei ao redor.
   As pessoas nesse lugar só podem ter algum problema.
   A temperatura é insuportavelmente fria, do tipo que mal dá pra andar sem tremer ou se encolher.
   Porém eles o faziam. Andavam pra lá e pra cá com suas posturas superiores, sem encolher um único músculo, como se não fossem abalados por nada.
   Mas eu também devo ter algum problema, já que devo ter ficado mais de dez minutos andando pra lá e pra cá perdida. E as pessoas que passam ao meu lado não me dão uma única chance de pedir informação, alguns esbarrando em mim, sem se importar o suficiente para se virar e pedir desculpas. Pareciam não estarem com a mínima vontade de cumprir aquilo que lhes era socialmente exigido. Andavam pra lá e pra cá, como robôs assustadoramente perfeitos que não enxergam um palmo a frente.
   Mal educados.
   Meu trabalho em encontrar o pilantra do contador estava sendo tão bem sucedido que eu achei que se colasse um cartaz na testa com "sou secretária e aceito balancetes" eu me sairia bem melhor. Olhei para o meu relógio, checando quanto tempo eu tinha. Bem, eram pouco mais de seis horas. Isso se eu ficasse sem almoçar e todos os meus contratempos acabassem a partir de agora. Vi alguém passar por mim e lhe pedi a informação e tudo estaria resolvido se aquela pessoa não tivesse me ignorado completamente e passado direto. Por quê aquelas pessoas estavam sendo horríveis?
   O dia estava sendo um perfeito inferno.
   Aquele aparelho estranho que todos chamavam de buenny vibrou dentro do meu bolso e eu o desbloqueei. "Entregar um relatório com a situação completa de todos os projetos que a empresa tem em parceria com as empresas da região", era o que eu devia fazer. Quantas empresas haviam na região? Em qual, especificamente, região ele falava?
   Ok. Eu estou bem mais ferrada do que pensava.
   O negócio vibrou de novo. "Entregar contratos assinados a Steve Clair, daqui a trinta minutos". Ai, não. Eu sentia a minha têmpora tremer. Se aquela coisa vibrasse mais uma vez as coisas iriam ficar relativamente sérias e demissão passaria a ser a minha realidade. Por que - de repente - aquilo pareceu ser proposital?
   Vi uma velha apressada e baixinha passar com um copo de café grande demais para o seu tamanho. Não me pareceu ser como as outras pessoas, então resolvi arriscar.
    - Eu...ahn...eu gostaria de saber aonde está Chandler? - a velhinha franziu as sobrancelhas para o seu café - O seu café está...o contador da empresa. - me olhou como se eu falasse outra língua.
    Se virou decidida e começou a derramar aos poucos e café sobre seu computador.
    - Café no computador.
    Han?
    Arregalei os olhos quando notei que foi isso que ela entendeu.
    Não.
    Comecei a tentar puxar o café de suas mãos, antes que eu fosse culpada pela morte do computador. Mas ela era teimosa e puxava o café com mais e mais força, até que eu pedi que soltasse e ela enfim pareceu ter entendido.
    Nem preciso dizer entender significa que ela soltou de uma vez e o café derramou completamente em algum ponto atrás de mim.
    - Por Deus! - olhei para trás só pra constatar que aquela cabeça tinha o tamanho duas vezes maior que o de uma cabeça normal - Você de novo!
    Ai, céus!
    A bigorna não.
    - D-desculpa... - tentei fazer algo para ajudá-lo, mas o cara já me odiava, não deixaria - E-eu acho que...
     As pessoas ao redor olhavam a confusão.
     Merda.
     É sempre assim. Por algum motivo, sempre que quero muito alguma coisa, acabo pensando muito nisso e me esforçando pra que fique perfeito. E deve ser nesse momento que o senhor destino resolve derrubar o meu café e minhas folhas. Única explicação.
    - Senhora Lange, quem é essa daí? - alguém pareceu ter resolvido se meter na confusão. A moça do óculos.
    - Aquela novata que todos estão ignoran...
    - Lange, já pode sair. Deixa que eu assumo daqui. - interrompeu-a e eu só pude imaginar como terminaria sua frase.
   Ignorando? Tipo...de propósito? Não, devo ter entendido errado.
    - Aonde ela conseguiu esse café?
    - Não sei.
   - E de onde o outro surgiu?
   - Não sei.
  - Sabe aonde está o contador da empresa?
  - Não sei...- eu estava ficando sem graça.
  - Qual o seu nome?
  - Não sei. - pisquei - Q-quer dizer...sei. É...SeuNome, S-SeuNome Stroome.
  Mas que droga, SeuNome! Perdeu o juízo? Como diz isso pra moça?
  Esperei a mulher parar de rir da minha cara, até finalmente conseguir dizer alguma coisa.
  - Eu preciso de... - tentei dizer, mas ela se aproximou e olhou o meu buenny, abanando a mão.
  - Não precisa mais. Eu posso pegar o que precisa com Chandler. Mas vai ter que fazer o resto.
   Sorri. Ao menos uma coisa boa.
   - Obrigada.
   - Não agradeça. Ainda vai ter que entregar o relatório em meia hora, e está perdendo tempo. Você só consegue ele na mesa da sala do café, já que não pode usar sua própria mesa por estar sem instrutor. Então se apresse. - avisou.
    Sala do café...aquilo seria fácil.
    Fácil demais. Sorri, percebendo que tudo poderia enfim dar certo.
    Andei calmamente até a sala do café, um local aonde os funcionários descansavam e tomavam café em seus intervalos. Eu não serei demitida. Não terei nenhum problema. Nenhuma bronca. Nenhum café derramando na roupa de estranhos.
    Abri a porta devagar, quando notei que a sala estava ocupada. Soltei a maçaneta ao ouvir suas vozes, não iria ouvir a conversa de ninguém e nem atrapalhar, não era da minha conta.
    - Viram a funcionária nova?
   Espera. Eles estavam falando de mim?
   Não. Haviam outras funcionárias novas, é claro que haviam.
   Dou mais alguns passos á frente, parando bruscamente, quase sentindo a minha pressão cair.
   - John estava nervoso hoje, nunca o vi tão furioso. Ele disse que ela derramou café nele. Duas vezes! - meu coração bateu descompassado. Eu não deveria ouvir, mas...droga!
    Me aproximei da porta tentando ouvir o máximo que poderia.
    - E quando todos começaram a ignorá-la? - uma voz disse. Risos se espalharam pela sala.
   - Parecia uma barata tonta, para lá e para cá.
   - Eu vi, seus malvados, ela deve estar se perguntando qual o problema dela até agora. - a voz era feminina. Sensual, do tipo que dá arrepios.
    - Ah, mas nós sabemos qual o problema dela...
   Meu corpo tremia completamente.
   - Estamos a afastando daqui, estamos fazendo-a pensar em demissão, parece ruim, mas somos bons. Ela vai nos agradecer se sair.
   - E desde quando somos bons samaritanos aqui? - alguém disse, rindo.
   - Não seja idiota.
   - Não estou sendo. Foi só uma pergunta.
   - Uma pergunta que você já sabe a resposta. - rosnou.
   Eu já devia ter ouvido aquelas vozes em algum lugar. Queria olhar pela fresta pra ver quem eram, mas a coragem fugiu.
   - É um caminho sem volta. - outro concordou.
    Pisquei os olhos várias vezes, incerta do que tinha ouvido corretamente.
   É o quê?
   - Ela vai desejar não estar aqui. - algo em seu tom me fez perceber que ele não falava somente das exigências exageradas do senhor Styles e do trabalho quase desumano ali.
   Certo. Agora eu tremia de verdade. Sentia o meu corpo inteiro se esfriando e tremendo. Tudo doía.
   - Não acha que deveríamos contar á ela? Dizer á ela o que lhe espera?
   - Contar? Está louca? - ele riu com gosto - Ela chamaria a polícia.

                                                        ***********************

   Eu engolia em seco.
   Uma pergunta que você já sabe a resposta.
   Meu estômago embrulhou.
   É um caminho sem volta.
   Estava entre um soluço contido e um choro.
   Ela chamaria a polícia.
   Eu sentia que ia desmaiar.
   O que eu não sabia? O que eles deveriam me contar?
   Eu queria vomitar.
   Estava parada em frente a mesa da recepcionista, em desespero. Iria pedir a sua ajuda. Jamais conseguiria entrar na sala do café depois daquilo e eu não poderia usar a minha mesa como salvação, não sem o meu instrutor.
    Eu tinha meia hora, ou seria demitida.
    Estava parada, observando a mulher falar ao telefone, ela disse que logo me atenderia. Mas eu não saberia como podia me ajudar. Na verdade, era impossível.
    Eu só queria falar, só queria colocar tudo aquilo pra fora...mas se eu o fizesse iria chorar. Aquilo foi uma má ideia.
    Não. Aquilo foi uma péssima ideia.
    A voz daquelas pessoas estava nos meus ouvidos e eu esfreguei as têmporas.
    Não tinha como eu resolver aquilo. Não havia jeito. Eu havia resolvido aceitar a situação. A recepcionista não iria me ajudar. Eu teria saído pelas portas daquela empresa de cabeça baixa e completamente vencida...
   Se não fossem as malditas faixas amarelas no corredor.
   Salas exatamente iguais.
   Exatamente iguais significa com mesas iguais também, não é?
   Não. Eu não faria isso. Jamais.
   Correr o risco de uma demissão muito pior e ainda ser processada não é exatamente o que eu preciso no momento. Foi a pior ideia que eu tive até agora.
   Não devia estar pensando direito quando considerei ir naquele lugar perigoso, que ninguém se atrevia a passar perto, que todos temiam e que por algum motivo ninguém podia entrar lá. Não devia ter considerado direito quando pensei em me livrar de uma demissão arrumando outra muito pior. Não devo ter pensado direito quando sequer pensei em ir ao lugar que mais poderia irritar minha chefe, em todo mundo.
    Mas quando a recepcionista desligou o telefone e me perguntou o que eu queria...
    Tudo o que eu pensei foi: Dane-se.






    Posso não parecer uma boa funcionária - ás vezes -, mas nesse fim de semana que tive entre o dia da minha entrevista de emprego e hoje, eu li uma lista com algumas regras da empresa. A lista tinha, sei lá, vinte e nove páginas?
   Tá. Eu só li a primeira página.
   Ah, quem eu estou tentando enganar? Só li os cinco primeiros itens e parei porque estava com preguiça e fiz o que sempre faço quando preciso fazer algo importante: deixei para fazer mais tarde, mas então quando ficou mais tarde eu estava com sono e me convenci de que aquela lista não era nada importante. É o que sempre faço quando tenho algo muito importante. Fico adiando e adiando, mesmo sabendo que vou me ferrar legal um dia com isso.
    Eu sabia que aquela lista que mais parecia uma daquelas cartas de fã com um tamanho interminável teria alguma importância na minha vida e me convenci de que aqueles cinco primeiros itens seriam o suficiente para um primeiro dia.
    Ainda estou arrependida por não ter lido tudo, mas uma parte de mim está me agradecendo histericamente - como uma fã descobrindo que o ídolo leu a tal carta - por ter decorado as tais cinco regras, porque uma delas se aplicava perfeitamente a aquela situação.
    "Não entrar em nenhuma, sob nenhuma circunstância, sala do primeiro ou segundo andar."
    Bem, talvez as palavras no papel estivessem mais formais e educadas, mas o sentido era o mesmo.     Assim como o aviso de Pam Ross sobre aquelas salas. O que tinha nelas, eu não sabia, mas com certeza haveria uma ou duas mesas nunca usadas que não me fizesse querer quebrá-la com um martelo.
   É errado, eu sei. Mas, droga! Como uma empresa pode ter dois andares inteiros proibidos de ser acessados? O que de tão secreto poderia ter ali? E bem, eu ainda podia usar a desculpa de ter me perdido e por ser funcionária nova não conhecer as regras...
    Engoli em seco desesperadamente.
   Uma das primeiras regras, que precisava ser guardada com mais cuidado, estava prestes a ser quebrada.
    Por mim.
    No meu primeiro dia de trabalho.
    Senti meus pulmões doerem e percebi que estava fazendo força demais para respirar. Eu vou me arrepender, eu vou me arrepender, eu vou m...
    Ah, fique calma. Vamos! Ninguém passa por aquele corredor nesse horário. E nem em horário algum. Só ir rápido e voltar correndo e vai ser como se nem tivesse acontecido.
     Atravessar as faixas e o corredor foi bem fácil. Considerando que não havia câmeras naquela parte e que as pessoas evitavam olhar pra lá. Difícil foi me controlar para não gritar a cada vez que me assustava com meus próprios ruídos. Mas agora, não havia como voltar atrás.
     Eu havia entrado em uma sala qualquer, lentamente, disfarçadamente.
    Eu nunca havia feito aquilo na vida.
    Passei pela porta, me agachei andando como um cachorrinho, para não ser percebida pelos possíveis sensores de movimento. A porta continuou aberta, só poderia fechá-la quando chegasse á mesa, o controle estava nela. Nesse momento percebi o quanto odeio todas essas tecnologias, por me fazerem que passar por essa situação humilhante.
    Estou de quatro em plena manhã.
    Estou fodida, mas não da maneira que deveria.
    - Oi? - sussurrei baixinho pra mesa. Eu havia a visto funcionar, bastava falar - Oi. - repeti, mas a merda não ligou.
     Droga.
     Tentei ligá-la apertando em alguns pontos aleatórios, ainda na mesma posição, ali haviam sensores, é claro que haviam.
     - Funciona. - passei a mão por cima da mesa - Funciona. - dei batidinhas nas laterais - Funciona!
    Meu desespero vai crescendo a cada segundo, senti que aquela droga de situação não poderia acabar bem. Que a droga da mesa precisa funcionar logo porque meu tempo está se esgotando e a droga do buenny não para de vibrar.
    E se eu falasse com ele? Se dissesse que seria impossível fazer aquilo antes do turno terminar? Que não conseguiria uma mesa?
    Demitida.
    A ideia me deu calafrios e causou um sério furacão em meu estômago.
    Voltei a minha atenção a mesa a minha frente. Passei a sussurrar um contínuo "funciona, funciona, funciona" impaciente, batendo com um pouco mais de força na lateral da mesa.
    - Mesa imprestável...
    Meu dia está sendo uma droga e a droga da mesa também não colabora. Ah, mas vai sim!
    Vai, sim.
    Meu corpo inteiro doeu e tremeu quando peguei o buenny e nele estava escrito "ligar para Jhonny Courtryn e dizer que irá continuar com a parceria como descrito".
    É...eu não iria aguentar.
    Meu coração deu um sobressalto ao ver que tenho mais coisa a fazer e nenhuma solução, senão enlouquecer. Olho para aquela coisa teimosa com um olhar irritado e volto a falar:
    - Funciona, funciona, funcion...FUNCIONA MESA DOS INFERNOS!
    Nada aconteceu.
   Até o segundo seguinte.
   Quando o meu coração parou.
    - Não acho que deva estar aqui. - meu coração parou naquele segundo, só pra depois voltar a bater com toda a força. Nem precisei olhar pra saber quem era, julgando pela forma como meu corpo se arrepiou e paralisou. Era ele. E eu estava de quatro, tremendo. Seu tom de voz rouco demonstrou a raiva que estava sentindo naquele momento...e era grande. - Na minha sala, agora.
   Fodeu.

26 de fevereiro de 2016

Drunk in Love - Harry Styles

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                                                         Capítulo 1 - Sanidade?
                                                                       Seunome Stroome
                       
                                                                 

   Todos pensariam que foi uma farsa ou um fingimento errado de sua parte. Mas eu...eu penso que foi por amor. E não poderia estar mais feliz. Terei, quem sabe, um recomeço.
   Abri meus olhos lentamente, de forma reconfortante. A luz da janela estava no meu rosto. Mas de que importava? Aquele sorriso jamais sairia do meu rosto e eu sabia muito bem o motivo.
   Um sonho calmo. Que me fez rir por alguns momentos e me trouxe uma paz inimaginável. Fez eu me sentir mágica, infinita, única, feliz.
   E então eu percebi que chegou o dia. Aquele dia em que você acorda e sente uma paz digna de Gandhi, percebe que nada pode tirar essa calma de dentro de você. O mundo pode cair, mas você vai estar relaxado e não será atingido. Você ficará tranquilo e radiante, não importa o que aconteça.
   Aquele dia que só acontece uma vez na vida.
   Sorri. O orgulho chegando ao meu rosto e eu não consegui pensar em nada que não fosse rir sozinha.
   Nada melhor que um sorriso de rasgar o rosto.
   Me levantei devagar, me sentando na cama, pegando o relógio nas mãos.
   7:40.
   Arregalei os olhos.
   Puta que pariu.
   Levantei-me da cama totalmente atrapalhada, derrubando o relógio junto com o lençol, que levou o meu corpo junto. Caio enrolada no lençol e com o relógio quebrado ao meu lado. Tento me levantar e ao mesmo tempo tirar do meu corpo aquele lençol que mais parecia estar possuído por um espírito do que qualquer outra coisa, ficando naquela dança de minhoca convulsionando por alguns segundos até finalmente conseguir levantar e correr, não sem antes gritar "consegui!" para aquele lençol do demônio. Quem ele pensava que era?
   Foi legal e eu me senti a pessoa mais adulta e superior daquele quarto.
   Até tropeçar novamente no lençol e bater o dedinho na cama.
   Fechei meus olhos com força. Eram 07:40 e eu precisava estar pronta pra uma entrevista de emprego ás 8:00. Considerando a distância do meu apartamento até a Style's Group Inc. eu ainda teria que pegar dois ônibus. E se todos aqueles boatos sobre a exigência dele com os seus funcionários forem verdade...
   Engoli em seco.
   Me levantei como uma pessoa decente faria, mandando Gandhi e sua paz irem procurar o que fazer. Fui até o banheiro como um animal acuado depois de ouvir uma bronca de uma pessoa ruim. Só que no caso, a pessoa ruim era o diabo do lençol.
   Tomei um banho rápido. Sentindo a água quente caindo contra o meu corpo, a vontade de ficar lá por mais tempo, porém a certeza de que eu precisava desse emprego como a minha vida me fez desligar o chuveiro e me apressar.
   Nunca estive tão preocupada na vida. Preciso urgentemente desse emprego para ajudar a Dallas a pagar o apartamento - já que o salário dela não paga nem um terço das contas - e eu perdi o meu último emprego graças a atrasos. Dizem que o senhor Styles é rude e perfeccionista com seus funcionários e isso não me acalma mesmo.
   A algum tempo ainda dava pra aguentar, mas sinto que hoje em dia não dá mais. A situação está a cada dia mais crítica nesse apartamento. Fingir que não está acontecendo não é mais uma opção. As dívidas só aumentam e tudo está ficando pior. Penso no quanto ela ficaria decepcionada se eu não conseguisse aquele emprego.
   Dallas.
   Desde os últimos acontecimentos traumatizantes que me fizeram entrar numa bolha invisível e esquecer do mundo lá fora, Dallas resolveu que eu precisava me livrar logo daquilo. Ela me convenceu a ir até aquela empresa, correu atrás de vagas e passou tentar enfiar na minha cabeça a ideia de que eu tenho capacidade de ir a uma empresa como aquela sim e não adianta reclamar. Penso no seu sorriso largo quando me contou radiante que a empresa estava com vagas. Depois, penso como seria o seu sorriso se eu lhe contasse que não havia conseguido. Sim, porque ela sorriria. Mas seria um sorriso triste, melancólico e decepcionado.
   Um sorriso que só estaria ali para me encorajar a continuar, nada mais.
    Coloquei uma blusa formal branca, uma calça jeans e um tênis. Eu não sei como as pessoas daquele lugar devem se vestir, então escolhi essa roupa mesmo. Quer dizer, é apenas uma entrevista de emprego, nada de ruim ou desastroso pode acontecer, não é?
   Desci as escadas rapidamente, enquanto terminava de vestir o meu casaco, quase tropecei em um dos degraus e por sorte não caí.
   Ao descer, avistei uma Dallas animada e - quase - neurótica preparando panquecas para nós duas. Ela tinha a mania de colocar coisas que achava engraçado nas comidas que fazia e em uma ocasião muito infeliz, dentro da minha bolsa. Ela sempre achou que aquelas coisas iriam alegrar o meu dia, e eu sempre achei que poderia muito bem ter um dia feliz sem precisar achar um sapo sorrindo e usando batom dentro da bolsa.
   Tentei sair sem que a mesma me notasse.
   - Bom dia, sua vadia. - disse sem precisar se virar pra mim. Parei. Aquilo em volta da panqueca era uma camisinha? Balancei a cabeça. - Tenho uma surpresa pra você na sua bolsa.
   Lá vem...
  Peguei uma maçã e minha bolsa em cima da mesa e continuei indo em direção a porta.
   - Não vai mesmo falar comigo? - questionou, concentrada em sua tarefa peculiar.
   - Desculpa Dallas - cheguei á porta com pressa - É que eu to muito atrasada.
   E eu realmente estava. Tomar banho e me vestir tomou muito o meu tempo. Agora faltam pouco menos de dez minutos para o início da entrevista. Isso sem somar os minutos que perdi no meu UFC contra a mobília. Se meu chefe for rígido e severo como todos dizem...senti um calafrio no corpo e decidi não pensar muito nisso.
   Quando finalmente cheguei ao ponto, vi um ônibus saindo na frente. O meu ônibus.
    Fala sério. Isso não pode estar acontecendo...
   Não que eu esteja duvidando do meu poderoso azar.
   Tentei alcançá-lo, mas seria impossível.
   O tempo estava esquisito. Talvez, daqui a uma ou duas horas uma chuva assustadora irá cair. E a minha única esperança era um outro ônibus que por pura sorte resolveu passar aqui a esse horário.
   Mas isso não aconteceu.
   O que aconteceu foi um táxi velho chegar após vinte e cinco minutos e ir devagar durante todo o percurso. As coisas sempre acontecem assim quando estou com pressa, já me acostumei.
   Olhei para o taxista e senti que minhas costelas iriam partir com o meu esforço pra segurar o riso. Eu realmente não tenho preconceito algum com quem tem bigode. Em alguns fica legal, em outros fica divertido, mas nele parecia que ele havia equilibrado um esquilo entre a boca e o nariz. Controle-se, SeuNome. Respire.
   Não ria, não ria, não ria...
   Sinto uma sensação ruim, mas resolvi ignorá-la. É apenas nervosismo de quem está prestes a ir para a entrevista de emprego que irá mudar - ou não - a sua vida dali pra frente.
   Por alguns segundos, observei a paisagem lá fora. Joutech Blue. Um dos climas mais frios de toda a região. A cidade da tecnologia. Uma cidade famosa e visitada por todo mundo. Para os otimistas era o futuro concentrado em alguns muitos quilômetros quadrados. Para os pessimistas era "noites frias e assustadoramente escuras, pessoas insensíveis, corações doloridos e tecnologias substituindo a capacidade humana". Para mim, era só uma cidade.
   É isso que Dallas não entende. Aquela empresa é o que oferece tecnologias para aquela cidade que é conhecida mundialmente justamente por elas. O quão assustador isso é? O quão desesperada eu deveria estar?
   O taxista pareceu perceber que estava fazendo um percurso equivalente a dois ônibus e pareceu não gostar muito daquilo, percebi isso pelos seus gritos e xingamentos.
   Mas só haviam três coisas que eu conseguia pensar enquanto aquele ser bigodudo se responsabilizava pelas minhas futuras dores de ouvido 1) eu chegaria muito atrasada. E quando eu digo muito atrasada, eu quero dizer muito atrasada, 2) suas broncas não mudariam em nada o quão ferrada vou estar no momento em que chegar lá, e 3) de repente aqueles seus bigodões passaram a me lembrar muito ao senhor-cabeça-de-batata o que me fez apontar e rir. E o que lhe fez me expulsar do carro.
   E ainda faltavam quatro quadras para chegar a empresa.
   Pelo jeito ele não gosta de risadas inapropriadas.
   Ou de Toy Story.
   Estava chovendo levemente e eu ainda tinha muito mais que cinco minutos no percurso a pé. Minhas roupas certamente molhariam. E ele pareceu ter notado isso quando me deixou numa das poucas áreas descobertas da cidade.
   Desgraçado.
                                                     **************************

   Finalmente cheguei ao estacionamento. Arrumei minhas roupas antes de entrar, já que estavam molhadas e amassadas. Eu precisava estar apresentável, essa entrevista mudaria o meu futuro daqui pra frente.
   Ao adentrar os portões da empresa, sinto uma exclamação vir do fundo da minha garganta ao dar de cara com aquela realidade: o chão era branco e perfeitamente polido. Haviam muitas cadeiras de vidro em um canto e tudo era muito branco e limpo. O espaço era enorme. Pessoas circulavam pra lá e pra cá como robôs programados para isso e havia um aparelho grande e transparente nas mãos de cada uma delas. Ao fundo estava a mesa da recepcionista, uma mesa branca e impecavelmente iluminada. Eu realmente queria dizer algo sobre aquele lugar, mas sinto que a palavra perfeita pra defini-lo ainda não havia sido inventada.
   E a temperatura era...fria. Muito fria. Muito mais fria do que lá fora e eu desconfiava que mais fria do que qualquer temperatura que eu já tenha sentido na vida.
   Eu estava estremecendo mesmo estando de casaco.
   Sinto um nervosismo percorrer o meu corpo. Todos estavam tão bem vestidos e apresentáveis...e eu usava calça jeans e tênis All Star.
   O que eu estava pensando? Que entraria numa empresa como aquela e encontraria todos usando roupas comuns e do dia-a-dia? Acho que mais uma vez eu estraguei tudo.
   Todos naquele local me lançavam olhares de pura desaprovação.
   Eu estava nervosa. Meu coração palpitava agilmente dentro do meu peito e minhas mãos suavam. Vejo alguém passar por mim, aquele perfume delicioso e hipnótico adentrou as minhas narinas e me causou uma sensação maravilhosa.
  Foi quando meus olhos encararam um corpo perfeito. Cabelos castanhos caindo levemente por sua testa, usando uma blusa branca com botões demais abertos e uma voz intensamente rouca falando ao telefone.
   Quem era ele? E como conseguia ser tão perfeito?
   Ele sorriu pra uma de suas funcionárias, que pareceu entrar em uma espécie de transe ou levar um choque muito forte. E até eu, que estava em uma distância considerável, senti os pelos do meu corpo se arrepiarem e um calafrio me percorrer. Aquele era sem dúvidas o sorriso mais lindo que eu já havia visto. Seus dentes eram perfeitamente brancos e alinhados.
   Suspirei baixo.
   Aquele seria o meu chefe?
   - Senhorita Stroome? - uma voz feminina me chamou a atenção e me tirou daquele transe.
   As pessoas ainda me olhavam com maldade e reprovação e eu imaginei se eles não queriam o meu casaco. Porque eu não iria dar.
   A moça parada a minha frente tinha cabelos vermelhos em um tom gritante, porém belos. Sua pele negra contrastando com sua maquiagem muito bem feita. Sua postura era rebelde, eu sentia como se a palavra "treta" estivesse tatuada em sua testa. O que não acalmou em nada o meu nervosismo.
   Até o olhar dela me humilhava. Ela me encarava com deboche, certamente deve estar achando que eu jamais conseguirei emprego em uma empresa como aquela.
   Bom, ela tinha razão.
   Sou tão tímida, reprimida e desajeitada. Um chefe tão elegante e sedutor como o senhor Styles nunca me escolheria para um cargo tão concorrido como o de secretária administrativa.
   - S-sim... - respirei fundo e fiz a voz mais firme que conseguia - Sim, sou eu...ér, eu vim para a entrevista.
   - Percebi. - cuspiu sarcasmo - Me acompanhe. Irei ver com o senhor Styles se ele está disponível no momento.
   Assenti e ela me guiou até um corredor enorme acima da escadaria. Senti minhas pernas tremerem a cada degrau e corri o risco de me desequilibrar naquele material fino e - também - de vidro. Me sentei em uma daquelas cadeiras luxuosas e transparentes, tudo ali parecia ser muito caro. A moça ruiva caminhou em direção a uma outra escadaria - essa nem ao menos tinha um lugar para apoiar as mãos, mas como a outra tinha degraus suspensos e de vidro. Antes de subir o primeiro degrau, ela parou e se virou pra mim.
   - E a propósito, está a mais de quinze minutos atrasada. - ela sorriu e eu retribuí automaticamente tentando me mostrar simpática.
   Ótimo. Mal comecei e ela já me odeia.
  Ela subiu as escadas lentamente, mais pra me torturar do que pela dificuldade que seus saltos pontiagudos lhe proporcionava.
   E então eu finalmente entendi. O que aquelas pessoas pensavam sobre mim...era muito mais sério do que eu imaginei. Pobre menina vindo de um bairro distante, roupas inadequadas demais para estar aqui, experiência quase inexistente e nenhum poder aquisitivo. 
   Não era inveja, era desprezo. E a sensação era humilhante, ruim e quase dolorida.
   Eu preferia que eles só quisessem o meu casaco.
   Minhas mãos suavam e tremiam ao nível preocupante. E aquilo não se aliviou em nada quando a moça de cabelos gritantes se aproximou com uma cara nada boa.
   Eu devia ter previsto.
   O senhor Styles ficou nervoso com o meu atraso e descontou sua raiva na moça. Gritou o quão repudiável é alguém ter a audácia de se atrasar tanto sem fazer uma única ligação pra avisar o porquê.  Mandou que eu fosse levada dali pelos seguranças. E achou outra funcionária: uma mais eficiente e sem atrasos.
   Eu poderia deixar minha mente continuar me azucrinando por mais alguns minutos, mas a Cabelos Gritantes parou a minha frente e me olhou dos pés a cabeça com nojo.
   - O que aconteceu com sua roupa? - foi o que ouvi.
   Han?
   Foi tão ruim assim?
    - E-e-eu... - eu não conseguia pensar direito. Meu coração explodiu em batidas e eu senti como se minhas entranhas estivessem virando água.
   Respirar era difícil.
    Ela revirou os olhos, me pedindo para acompanhá-la até o escritório do meu futuro - ou não - chefe. O que aquilo significava?
   Me levantei sentindo as minhas pernas estremecerem por conta do meu nervosismo. Minhas mãos suavam frio e minha visão ficava turva. Meu coração batia tão forte dentro do meu peito que eu podia jurar que o ouvia. Eu tremia por dentro.
   Ele ficou com raiva.
   Ficou enfurecido e eu nem havia sequer chegado a sua sala.
   Me chamou ali apenas para descarregar sua raiva e repudia.
   Subi cada degrau cuidadosamente para não fazer nenhuma besteira ou tropeçar no meio do caminho, isso era tudo o que eu temia.
   A moça apenas parou ao meu lado. Havia algum sensor de presença na porta e não era preciso bater, ela explicou. Os segundos na frente daquela sala sem nenhuma resposta foram eternos.
   Batimentos.
   Respirei fundo fechando os olhos. Aquilo costumava me deixar muito mais nervosa, mas eu não conseguia pensar em nada melhor naquele momento.
   Piscadas.
   Sim! Piscar é bom.
   Pisque somente duas vezes por minuto.
   Olhar.
   Perfeito, olhar demonstra confiança e assim eu conseguirei o emprego fácil, fácil.
   Por que de repente eu comecei a piscar trinta vezes em um único minuto? Tinha alguma coisa a ver com as tremedeiras nas mãos?
   Postura.
   Vamos, arrume essa postura dragoa velha A voz de Dallas fazendo uma imitação do que ela achava ser a minha mãe ecoou em minha cabeça naquele momento inoportuno. 
   Endireitei minhas costas, respirando muitas vezes.
   Não! Agora você está parecendo uma lagartixa com asma.
   Ah, vai cuidar da sua vida, Dallas! Você e Gandhi deveriam tentar.
   Fechei meus olhos e respirei fundo pela última vez, suplicando a mim mesma pra não fazer nenhuma besteira ou gaguejar enquanto falo. Não suportaria falar baixo demais e ter que ouvi-lo me pedindo pra aumentar o tom. Travar em meio a uma fala e ter que vê-lo erguendo as sobrancelhas ou dizendo que eu não me qualifico para o cargo. Qualquer erro ali seria fatal.
   A porta se abriu.
   E meu coração explodiu em batimentos.
   Adentrei a sala em passos lentos, sentindo a porta sendo fechada atrás de mim. Se fechou junto com a minha última chance de correr dali.
   Ele estava sentado em meio a uma enorme papelada, concentrado, enquanto assinava alguns documentos e digitava algo em seu computador. O que eu deveria fazer?
   Fui me aproximando lentamente até o centro da sala e ele não me notou. Continuou focado naqueles documentos como se eu não existisse ali. Umedeci os lábios, que tremiam. Será que eu estava sendo silenciosa demais?
   Tentei controlar a respiração e fazer qualquer coisa que demonstrasse confiança, mas eu não conseguia raciocinar. E ele nem estava olhando ainda. O que faria quando ele se movimentasse? Quando se levantasse? Notei que a cada minuto estava ficava mais e mais aflita.
   A sala estava silenciosa.
   Eu até poderia ouvir os meus batimentos.
   Estava desesperada em meio a aquele segundo infinito e olhei para a cadeira branca um pouco a minha frente, parecia confortável. Mais confortável do que qualquer coisa que eu já tenha sentado na vida. Tudo era tão impressionante, desde o chão até cada móvel propositalmente espalhado ali. Tecnologias que eu não veria em lugar algum, senão na sala do CEO de uma das empresas mais cobiçadas do mundo. E atrás de sua mesa...as paredes eram cobertas por janelas que iam do chão ao teto, me dando uma visão perfeita da cidade da tecnologia. Joutech Blue nunca fora tão bela até aquele momento.
   - Não vai dizer nada?
   Sinto meu corpo se arrepiar ao ouvir aquela voz. E desvio o meu olhar da janela até ele...
   E preferia não ter o feito.
   Meu corpo estremeceu com o seu olhar totalmente focado em mim.
   E que olhar. Era algo tão profundo e intimidador.
   Minha boca secou e minha visão ficou turva. Respirei pesadamente, forçando-me a ficar calma. Minha espinha congelou, tudo tremia.
   Minha garganta estava seca e eu só pensava em beber água.
   Ele era claramente a pessoa mais segura do ambiente. Sua posição dominadora sobre sua cadeira já provava o suficiente. Era confiante e firme. Não se abalaria com nada ali. E eu...
   Eu acho que...
   Eu engasguei.
   Fiquei tossindo como um porco doente por quase um minuto inteiro. Tentava urgentemente respirar nos intervalos de tempo, enquanto ele observava tudo sério. Vamos, jogue ar! É o que melhora, não é? Abri a minha bolsa em busca de um lenço umedecido ou qualquer coisa que se parecesse com um. Senti algo umedecido dentro de uma pequena embalagem. Achei!
   Coloquei o lenço na boca. Consegui parar de tossir aos poucos e muito devagar, porque ele era pequeno demais. Estava com um gosto estranho também. Um gosto bem horrível, na verdade. E estava molhado...não da forma que um lenço deveria estar. Tirei-o da boca e o observei.
   Não era um lenço.
   Era uma camisinha.
   Minha boca ficou seca.
   Tenho uma surpresa pra você na sua bolsa.
   Eu quis morrer.
   Meu estômago dava voltas e a maçã de mais cedo parecia querer ar fresco fora do meu estômago.
   Preciso me lembrar de matar Dallas quando chegar em casa.
   Joguei aquela coisa demoníaca pra longe como se pegasse fogo e ela acabou caindo na mesa do homem a minha frente que me encarou com as sobrancelhas erguidas. Merda...ele viu.
    E seu olhar inexpressivo me disse que aquilo não havia sido uma ideia inteligente.
    Será que ele ficou com raiva? Com mais raiva que antes?
   - Sente-se. - ordenou firme.
   Tentei esconder minhas mãos de alguma forma, pra que ele não visse o quanto tremiam. Um nó se formou em minha garganta enquanto eu me sentava, por mais que eu respirasse fundo nada acalmaria a velocidade desesperada que meu coração batia. Se eu ficasse muito quieta ele iria esquecer da camisinha?
   - Bom, como deve saber, você está aqui para uma importante entrevista de emprego. Para o cargo de secretária administrativa. - ele disse apoiando os seus braços na mesa a sua frente.
   - Sim. - disse um pouco baixo demais.
   - O que você disse?
   - Eu disse que sim... - aumentei um pouco o meu tom de voz.
   - Oh, sim... - ele ergueu uma de suas sobrancelhas. Como se avaliasse cada uma de minhas ações. Como se pudesse observar a minha alma. - Senhorita - leu algo no currículo - Stroome. Senhorita Stroome, eu andei analisando o seu currículo e vejo que é muito capacitada para o cargo. É uma pena ser tão irresponsável.
    Irresponsável? Ele havia me chamado de irresponsável? Eu não tenho nem um dia de empresa e ele já pensava isso de mim? Vejo que esse emprego não durará muito.
   - Como já deve saber, essa é uma das empresas mais famosas e lucrativas da América. E eu não posso permitir que uma funcionária chegue atrasada, posso? - completou.
   - Sim...n-não...quer dizer não. - disse me atrapalhando com minhas próprias palavras.
   Ótimo. Ele deve estar pensando que eu sou uma idiota.
   - Pois bem, você deve estar ciente de que por culpa da sua falta de compromisso e responsabilidade eu tive que cancelar duas entrevistas que eu tinha a essa manhã. - ele dizia calmamente, mas suas palavras estavam me pisoteando.
   - M-me...p-perdoe...senhor Styles.
    Me lançou aquele olhar. Profundo, intenso e único. O tipo de olhar que você nunca espera receber ás oito da manhã na sua primeira entrevista de emprego. Só um olhar e eu tremi inteira. Meus dedos estavam trêmulos e formigavam, enquanto meu corpo travou por uns bons minutos.
   Ele nem precisava se mexer. E eu já estava cruzando e descruzando as pernas diversas vezes, mordendo o interior da minha boca, desviando o olhar quando podia, tentando controlar meus batimentos e imaginando como deveria estar a minha cara naquele momento.
   - Perdão não muda as coisas. E nem vai concertar a bagunça que sua falta de responsabilidade causou a esta empresa nessa manhã.
   Mordeu a ponta de sua caneta voltando sua atenção a leitura de meu currículo.
   - E-eu...eu posso explicar...aconteceram cois...
   Me ignorou.
   - Como conheceu a Style's Group Inc.?
   - E-eu... - queria me bater pra parar de gaguejar.
   Levantou a sobrancelha esperando por uma resposta.
   Engoli em seco.
   - Como conheceu a Style's  Group Inc., senhorita Serena?
   A confirmação de que ele só dizia o meu nome corretamente quando o lia no currículo veio ali.
   - SeuNome. - disse baixinho.
   Pra mim foi algo comum, mas o olhar de completa descrença e o semi cerrar de seus olhos me provaram que ninguém ali lhe corrigia.
   Eu estava sendo um fracasso.
   Não. Estava além de um fracasso.
   Se ele não terminasse aquela entrevista me odiando completamente seria um milagre.
   - O que disse? - seus dedos tocaram a capa de um caderno preto ao seu lado e minha atenção se prendeu ali.
   - Meu caderno amigo. - aquilo tinha saído errado...- Quer dizer...minha melhor amiga...Ahn...eu já tinha ouvido falar antes, da empresa, e...
   - É uma das maiores empresas do mundo e você só "ouviu falar"? - seu tom era sério demais. O que não me acalmava em nada. Seus dedos se movimentaram na capa do caderno e eu me vi estremecer. - Aqui diz que você passou quase um ano sem trabalhar em lugar algum...
   - É que eu tive problemas pessoais, a um ano, minha mãe ela...
   - Senhorita Sirene, eu tenho cara de psicólogo?
   Sirene.
  Ele me chamou de sirene, mas não disse o meu nome corretamente.
   - N-não, senhor Sty...
   - Então pare de fazer resumos de sua vida como se importasse. Basta acenar com a cabeça, certo? - explicou como se falasse com uma criança. E foi exatamente assim que eu me senti. - Nós vamos pra Amsterdã. - meu coração parou. Só pra depois voltar a bater com toda a força. Mas que droga era aquela? - Você está num hotel e algo...digamos...grave acontece. Você tem a chance de salvar a sua vida, mas vai ter que deixar a outra pessoa morrer. Se deixá-la ir ela vive, você morre. Se ficarem ambas vão morrer. Você precisa fazer a sua escolha. O que você faz? - estava exemplificando. É claro!
  - E-eu acho que...
  - Você não sabe.
  - Não.
  - Não foi uma pergunta. - cortou, me fazendo calar. Seu olhar soberbo e superior se direcionou aos meus olhos mais uma vez, me forçando a desviar. Vi desconfiança no seu olhar e não entendi.
   Aquela era sem dúvidas a pior entrevista de emprego que eu já havia feito na vida. Eu nem precisava terminá-la para concluir isso. Eu simplesmente não sabia o que fazer e quando ele me olhava eu só conseguia suar e gaguejar. Patética. Sentia-me a ponto de chorar de desespero.
   Seu olhar desceu por minhas roupas e eu vi o meu estômago congelar.
   Não. Por favor...não.
   Não, não, não.
   Ele se levantou.
   Certamente estava espantado pelo estado das minhas roupas. Me senti diminuída, desajeitada, informal, horrível. Tudo por estar com roupas como aquelas e enquanto ele usava algo tão...provocante.
   E o pior era ter aquele olhar me analisando, era como estar nua.
   Voltou a me analisar minuciosamente. Seus movimentos sempre muito certos e perfeitos. Nenhuma insegurança, nenhum nervosismo...
   Quando aconteceu.
   - Levante-se. - ordenou.
   A sala estava silenciosa e eu ouvia o som de seus passos e da minha própria respiração descontrolada.
   Ele só parecia ter notado minhas roupas naquele momento e as encarava inexpressivo. Observando o excesso de organização de sua empresa empresa eu sabia o motivo de sua possível indignação. Nunca estive tão desesperada e apreensiva.
   - O que está pensando? - ele perguntou, me tirando de meus pensamentos.
   - O-o qu...o quê? - disse sentindo o meu coração quase saltar pela minha boca. Droga. Eu havia gaguejado novamente.
   Maldita timidez.
   - Eu te deixo nervosa? - ele ergueu as sobrancelhas e foi se aproximando de meu corpo, e eu fui recuando lentamente.
   O que estava acontecendo ali?
   - N-não, ér...não é nada, senhor Styles. - digo nervosa. Na verdade, eu esqueceria até o meu nome com toda aquela proximidade.
   - Pois não é o que parece, senhorita Stroome. - ele se aproximou mais um pouco de meu corpo e eu recuei mais uma vez, sentindo uma parede atrás de mim. Oh não, eu estava sendo encurralada.
   - O que está acontecendo com você? - ele disse, percebendo que eu estava ofegante e arrepiada - Eu te provoco arrepios? - ele sussurrou em meu ouvido.
   Não o respondi. Apenas fechei meus olhos sentindo a sua respiração quente batendo contra o meu pescoço e agora no meu ouvido - Pode ficar com o emprego.
   Ele diz se afastando.

21 de janeiro de 2016

Drunk in Love - Imagine Harry Styles

|| || Um comentário:
           Drunk in Love - Harry Styles




Presidente e Proprietário de uma das empresas mais ricas e famosas da América. Seu nome está em todas as listas VIP's de todas as festas. Dono de uma pesada fortuna e herança. Um dos mais poderosos e disputados empresários. Toda mulher quer tocá-lo, todo homem quer ser como ele. Dono de um corpo sexy, voz provocante, olhar intenso e um dos mais lindos sorrisos que meus olhos puderam ver. Estar perto dele era o mesmo que dar adeus a toda a sanidade que me restava. 
Ele é Harry Edward Styles e está disposto a fazer da minha vida um inferno. 
Maldita proposta, Maldito contrato, Maldito emprego.
                                                             
Capítulo 1 - Sanidade?
Capítulo 2 - Perdida.

16 de setembro de 2014

You're Perfect To Me - Sinopse

|| || 2 comentários:



    "Desejava aqueles lábios avermelhados contra o meu pescoço, sussurrando palavras insanas enquanto arrepia cada centímetro de pele e me levava a loucura"
 Ele é um dos garotos mais desejados de todo o colégio, sempre que passava era possível ouvir suspiros pelos corredores, ele sabia o efeito que causava nelas, e não media esforços para mudar isso. Dono do olhar mais profundo e intimidador que os meus olhos puderam ver, um sorriso misterioso e encantador, uma voz intensamente rouca que fazia o meu corpo estremecer. Estar perto dele, era o mesmo que dar adeus a toda sanidade que me restava, e ele adorava isso, adora me intimidar. Jogador do time de basquete, e com um futuro ganho graças ao poder de seus pais. Seu rosto é como o de um anjo, mas quem o olha pode ver um demônio dentro daquele olhar.
Ele é Harry Styles e está disposto a fazer da minha vida um inferno.

"-Por que está se afastando? não tenha medo de mim meu amor, só quero o seu prazer... não deixe aquele desgraçado voltar a olhar pra você, pois você é Minha"

  Um amor proibido, cheio de ciúmes, obsessivo, e quente.

Categoria: One Direction
Gênero: Romance, Drama, ação
Boy da fic: Harry Styles
Personagem principal: SeuNome Collins
Terminada: Não

-



                                                                           Capítulos


26 de abril de 2014

Imagine Liam Payne Capitulo 10- Shine bright like a diamond

|| || 6 comentários:
                                                           Imagine Liam Payne C.10-
                        Shine Bright Like a Diamond
                         image
Você vai voltar comigo pra casa essa noite, e estaremos queimando como luzes de néon (...)
Demi Lovato

S/n: Jakub, você tá bem? - ela disse estranhando a minha cara de preocupado
Jakub: eu to ótimo, mas... ér... eu preciso te contar uma coisa
S/n: oque é?
Jakub: é sobre o Liam...
S/n: ai Jakub, não começa!
Jakub: não, é sério SeuNome, eu não vou mentir.
S/n: ok, então oque é dessa vez?
Jakub: ele te enganou desde o início.
S/n: oque?
Jakub: ele só queria te usar, e depois jogar fora como um lixo!
S/n: Jakub, você tem noção do que está falando?
Jakub: é claro que sim!
S/n: não, não pode ser! o Liam não é assim...
Jakub: por que você acha que ele de repente começou a inventar desculpas pra se afastar?
Ela abaixa a cabeça, como se estivesse pensando na grande possibilidade disso acontecer.
                             
S/n: e como você sabia disso?
Jakub: ele veio até a minha casa hoje, ele estava nervoso e tentava dizer algo mais eu não podia entender direito, acho que ele estava meio debilitado... e assim ele sem querer confessou quase tudo...- aumentei ainda mais a minha mentira, sem medo das consequências
S/n: mas... mas, não faz sentido!
Jakub: você pra ele foi só uma aposta!
S/n: uma aposta!?
Jakub: sim, só você não percebeu o quanto estava sendo usada SeuNome... enquanto você pagava de apaixonada, ele estava apenas rindo de você!-fiz uma expressão séria pra que ela acreditasse naquilo tudo
Ela virou-se de costas chorando, como se não quisesse que eu a visse naquele estado, eu sorri por ter conseguido fazer ela acreditar nessa história e me aproximei de seu rosto a abraçando.
S/n: diz pra mim que é mentira... por favor- ela já estava chorando desesperadamente
Jakub: desculpa, mais eu não posso... esquece ele SeuNome...
O Celular dela voltou a vibrar, e dessa vez ela percebeu.
Jakub: NÃO!- gritei antes que ela atendesse
S/n: por que não?
Jakub: ... e se for o liam?
S/n: não deve ser ele, e se for tudo um jogo ele não me ligaria não é mesmo?
Jakub: não SeuNome, não atende por favor...
Ela pegou o celular e leu o nome no visor, ela ficou em choque por alguns minutos e lágrimas começaram a escorrer por seus olhos.
S/n: é ele...- ela disse chorando e eu a abracei e desliguei o celular
Jakub: você precisa se animar, e esquecê-lo e ainda nessa noite!
S/n: oque você quer dizer com isso?
Jakub: vamos pra uma boate?
                                                                                ~SeuNome Povs~
S/n: eu não preciso de uma boate, eu preciso ficar sozinha...- eu disse e entrei no meu quarto fechando a porta, logo em seguida deslizando sobre a mesma.
Como pude ser tão idiota? como pude acreditar nele e me envolver dessa forma? me sinto idiota, usada e suja! eu estou aqui chorando por ele, e provavelmente ele está sorrindo de tudo isso nesse momento.
Meu rosto já estava quente por tantas lágrimas que caiam sobre ele, e eu respirava fundo tentando me acalmar.
Jakub: SeuNome, abre essa porta!- ele disse batendo na porta
S/n: me deixa em paz Jakub, vai embora por favor!
Jakub: eu não vou sair daqui sem você! agora para de chorar por esse desgraçado e vem!
S/n: ACONTECE QUE EU AMO ESSE "DESGRAÇADO" CARAMBA!- voltei a chorar
Jakub: acontece que nesse momento ele deve estar em um quarto de hotel com outras 5 e você aqui chorando por ele!
S/n: por que você acha isso?
Jakub: ahh SeuNome fala sério, ele é famoso e  rico, tem o mundo aos pés dele, é claro que ele deve estar se divertindo nesse momento!
Respiro fundo, desejando fortemente que nada disso estivesse acontecendo, e que Liam estivesse aquibem ao meu lado, me abraçando e me beijando com aquele beijo que só ele tem.
Jakub: SeuNome...
S/n: você espera eu me arrumar?- disse baixo e enxugando as lágrimas que escorriam por meu rosto.
Jakub: é claro...- ele respondeu calmamente
Arrumei os meu cabelos em um coque frouxo, e em despi, entrei no chuveiro na água quente e tentei relaxar enquanto penso no que irá acontecer naquela boate, pessoas bêbadas, fedidas e barulhentas era isso oque me passava pela cabeça quando ouvia o nome desse lugar, todas aquelas pessoas estarão em seus grupinhos, sorrindo e dançando loucamente, por fora tão felizes, e por dentro tão vazias... oque eu estou pensando? acho que esse banho não está me fazendo muito bem.
Após me ensaboar e enxaguar, saio do chuveiro e me envolvo em minha toalha, enquanto encaro o meu guarda-roupas procurando uma roupa que "caia-bem" .
Após escolher a primeira que achei, e dar um jeito no meu cabelo, e passar uma maquiagem que esconda bem o estrago que tantas lágrimas fizeram no meu rosto, eu fiquei assim:
                              
Me olhei no espelho e nem um sorriso eu pude dar, eu estava arrasada com oque ouvi de Jakub, não teria forças para sorrir.
Uma última lágrima escorreu por meus olhos, e ouço Jakub bater na porta e logo abro meio que relutante.
Jakub: uau, você está linda!- ele sorriu simpático, tentando me animar
S/n: não precisa me iludir desse jeito- sorri fraca
Jakub: vamos?- ele estendeu a mão
S/n: vamos!- lhe dei a mão desanimada e ele sorriu
Eram por volta de 10 P.M, tínhamos uma cidade inteira pra curtir, festas, festas e mais festas, eram tudo oque o Jakub falava  tentando me fazer esquecer o Liam, mais isso era algo impossível quando eu resolvo ouvir o meu coração, o meu tolo e idiota coração.
E enfim chegamos, aquela boate não ia além do que eu já imaginava, eu só queria estar no meu quarto, sozinha, comendo brigadeiro e assistindo a última música enquanto me acabo em lágrimas, ao invés de estar aqui nesse lugar escuro, com essas luzes irritantes, essa música alta e essas pessoas idiotas, acho que estou me tornando uma garota chata, talvez.
Jakub: quer dançar?
S/n: ai Jakub, eu não tenho cabeça pra isso!
Jakub: por favor... eu prometo que você irá esquecer esse Liam rapidinho!
S/n: aé? e como você pretende fazer isso?
Jakub: vou começar assim...- ele pegou a minha mão,  com a outra ele segurou a minha cintura, aproximando nossos corpos e me fazendo suspirar, e automaticamente ficar sem graça.
Em seguida, ele começou a me guiar com leves passos acompanhando a música rápida que se passava naquele lugar, após alguns passos ele me girou e quando parou eu quase me desequilibrei, mas ele me segurou e me encarou enquanto aproximava o rosto devagar, naquele momento eu vi Jakub com outros olhos, ele não me parecia mais aquele garoto que fez tudo pra me afastar do Liam, ele me parecia mais, não sei, acho que mais maduro.
Ele aproximou o rosto mais um pouco e eu pude sentir a sua respiração em contato com a minha, ele segura a minha cintura com mais intensidade para não correr o risco de eu me afastar, u já podia imaginar muito além do que estava prestes a acontecer, e quando estávamos a poucos centímetros de um beijo...
                                                                                  ~Narrador On~
                                            

       O Sr. Destino adora pregar peças em quem está fraco, e ás vezes sem defesa alguma, Liam naquele momento era um ótimo exemplo disso, já que se localizada perto da cena que mais temia ver em toda a sua vida, SeuNome a garota que ele considerava o grande amor de sua vida, está a poucos centímetros de beijar o seu grande inimigo, ou como diriam nos filmes, um mero rival.
A reação que Liam estava prestes a ter não era das melhores, já que ele se encontrava aflito e atordoado, e por um momento fraco, decidiu afogar todas as mágoas bebendo o máximo que podia, atitude totalmente fora do comum pra um garoto como liam, que costumava ser responsável e firme em suas decisões, porém não sabia como reagir quando estava magoado.
Ela não deve sentir mais nada por mim...-pensou ele- tudo culpa desse desgraçado!- completou ele bebendo mais um copo em um só gole.
Liam não era o mesmo, ele estava alterado, e a qualquer momento reagiria por impulso e foi exatamente isso que ele fez.
As mãos de Jakub já não se encontravam na cintura de SeuNome, uma segurava em sua nuca enquanto a outra brincava com o seus cabelos, eles estavam tão próximos que um mísero "esbarrão" de algum desastrado' poderia faze-los se beijarem, SeuNome por sua vez não sente nenhuma atração por Jakub, por mais que ela tente ele não a atrai, ela só não se afastou pois sente algo muito parecido com oque sentiu nos momentos que estava com Liam, talvez sejam as boas atitudes de Jakub para com ela.
Jakub se aproxima mais, e seus lábios quase se encontram, mas SeuNome saiu do transe que a prendeu por uns minutos nos olhos de Jakub, e se afastou um pouco.
S/n: wou, oque estava prestes a acontecer?
Jakub: Você estava prestes a sentir o beijo da pessoa que mais te ama em todo o mundo
S/n: hm, profundo...- ele sorriu e se aproximou um pouco de seu rosto- porém não verdadeiro- ela disse tentando quebrar todo o clima.
Jakub: e pra você quem mais te ama em todo em todo mundo? o Liam?- ele riu irônico
S/n: talvez sim
Jakub: entenda isso SeuNome, pra ele você é "apenas uma fã"!- ele disse fazendo a última frase ecoarem pelos ouvidos de SeuNome.
Oque será que ele quis dizer com "Apenas Uma Fã"?- SeuNome se perguntava mentalmente por diversas vezes, e encarou Jakub chateada.
S/n: para de se meter na minha vida! você só está dizendo isso por que nunca viveu e nunca irá viver um amor verdadeiro! que atitude imatura!- ela disse seca e Jakub não demonstrou nenhuma atitude negativa, pelo contrário, ao ouvir as palavras duras de SeuNome ele apenas deu uma risada nasal e colocou a língua entre os dentes em um sorriso espontâneo.
Jakub: você só se machucou assim por que bem aí no fundo há uma ferida, eu sei disso, você sabe disse mas não quer admitir, você sabe bem no fundo toda a verdade.
S/n: já chega! cansei de ouvir você dizendo isso! eu quero ir pra casa!- ela disse impaciente e se afastando de Jakub, seguindo um caminho até o 'Open Bar' que ficava próximo a saída, Jakub a seguiu e ao passar de forma descuidada por lá, acabou esbarrando em alguém que tinha se levantado ao mesmo tempo, e a bebida gelada molhou toda a blusa do rapaz, que não ligou e continuou a seguir SeuNome.
- Está com medo de mim? não imaginei que fosse tão covarde...- aquela voz era conhecida por Jakub e ele sabia muito bem de quem se tratava, e SeuNome pode ouvi-lo também e sentiu um arrepio subir a espinha ao reconhecer aquela voz grossa e firme, e que após algumas doses se mostrou levemente rouca.
Jakub: você tá falando comigo?- ele disse cruzando os braços e encarando Liam
Liam: e por acaso você tá vendo outro covarde aqui?
Jakub: nenhum... além de você é claro- ele disse rindo sínico, com aquela risada que liam tanto odeia, e liam se manteve sério.
                                
SeuNome passou a encarar Liam, e reparar em alguns detalhes que não podiam passar despercebidos aos seus olhos, como por exemplo a camiseta branca que Liam usava que em seu tom claro quase transparente deixava o abdômen definido de Liam á mostra, ou os seus cabelos que se encontravam levemente bagunçados, detalhe que o deixava mais sexy, fora isso praticamente tudo em Liam estava atraindo olhares naquela noite, mas graças as bebidas Liam não reparou os olhares nada discretos de algumas garotas e de principalmente SeuNome.
Jakub: SeuNome me espera no carro por favor?
S/n: eu não quero ir ag...
Jakub: SeuNome, ou você vai por bem ou vai por mal! a escolha é toda sua!- ele disse e Liam o fuzilou com o olhar
S/n: isso é uma ameaça?
Jakub: não, é uma condição... então, POR FAVOR-ele deu ênfase a palavra- vai logo para o carro
Ela respirou fundo e foi, mesmo estando chateada o melhor lugar para ela estar naquele momento era no carro, já que se encontrava cansada por conta dos acontecimentos de seu dia-a-dia e por que não dormia a algumas noites, ela estava começando a sentir frio devido ao ar condicionado do carro que Jakub deixou ligado, naquele momento uma enorme dúvida se passou pela cabeça de SeuNome "Por Que será que ele liga o ar condicionado nesse frio?" ela balançou a cabeça tentando não pensar nisso e focar os seus pensamentos em oque realmente lhe interessava, o Liam, ele não parecia normal naquele momento, parecia alterado e tenso, algo que ela nunca havia reparado nele.
Seus olhos se encontravam pesados, já que ela estava com bastante sono, mais tentava não dormir se concentrando em detalhes simples, como as gotas que de chuva que caiam na janela 'oque? gotas de chuva? como eu não pude perceber que estava chovendo?' - ela pensou sozinha- 'ahh quer saber? tanto faz se está chovendo ou não, o meu sono é mais importante do que o clima lá fora, mesmo que essa chuva me atrapalhe a chegar em casa' - ela completou e fechou os olhos cochilando por volta de 10 minutos quando ouve um barulho que a despertou assustada, ela então abre a janela do carro e ouve a conversa de 3 garotas discretamente.
xxx-oque está acontecendo?
xx- acho que é uma briga, ah se não me engano são dois garotos!
xxx-um deles é famoso, imagine só as notícias em todas as revistas "famoso discute e bate em boate" hahah
xxx: abafa amiga!
-Droga...- ela disse olhando para as próprias mãos preocupada- preciso ir pra lá agora!- ela saiu do carro determinada e fechou a porta com força, correndo até o interior da boate.
                                   
Ao entrar na boate, S/n pode ver um canto amontoado por pessoas, e deduziu que a briga estivesse acorrendo logo ali, então se aproximou de lá já trêmula e temendo o pior, e ao se aproximar pode ver Jakub  no chão com o canto da boca sangrando e Liam estava em pé o encarando e logo em seguida ele se levantou e socou o chutando em seguida.
                                    
Liam caiu no chão e SeuNome resolveu ter alguma reação.
S/n: CHEGA JAKUB, E PARA LIAM!- ele disse enquanto se aproximava de Liam que estava deitado e desacordado
S/n: Liam, Liiam, diz alguma coisa por favor...- ela diz sussurrando e ele abriu os olhos devagar- por que você tá fazendo isso? por que tá jogando toda a carreira por água abaixo?
Liam: eu... eu não sei...
Jakub: talvez seja porque você é um fraco, idiota e sem a mínima noção da vida... coitado, não sabe de nada...- ele provoca
Liam: quero que você repita isso quando eu quebrar toda essa sua cara sínica!- ele se levantou novamente e toda aquela briga recomeçou.
                                     
SeuNome só queria que alguém chegasse naquele momento pra separar aquela briga.
                                                                       ~SeuNome Povs~
Minhas mãos estavam trêmulas, o meu coração estava acelerado, eu estava em choque pelo que tinha acabado de acontecer, e mal podia sentir as minhas pernas, aquela cena me deixou muito nervosa.
Eu estava confusa, não sabia como reagir ao ver Jakub e Liam brigando, já que não sabia a quem escolher.
Liam estava diferente, ele me parecia nervoso e alterado, não me parecia o mesmo, era como se ele estivesse bêbado, totalmente fora de si.
e então finalmente alguém surgiu para separá-los, ele pediu licença e eu podia reconhecer aquela voz de algum lugar... ah sim, era o Louis, só um amigo verdadeiro como ele abandonaria uma turnê para salvá-lo, e era por esse motivo que eu tanto o admiro, eu tenho que admitir que nos momentos bons ele é a melhor companhia...
E ele saiu puxando liam pela camisa, e antes de ir me disse um "Boa Sorte" enquanto encarava Jakub.
Respirei fundo e puxei Jakub o ajudando a sair daquele lugar que se encontrava duas vezes mais cheio por conta da briga, que com certeza já está espalhada pela internet.
Ao entrarmos no carro, Jakub fechou os olhos, respirou fundo nervoso e limpou todo o sangue de seu nariz e boca, enquanto eu o encarava séria e com os braços cruzados.
Jakub: oque foi?
S/n: como você pode bater no Liam sabendo que ele estava bêbado e quase inconsciente de seus atos?
Jakub: ah SeuNome, não enche!
S/n: Jakub, você foi covarde!
Jakub: ELE ME PROVOCOU CARAMBA!
S/n: e oque custa ignorar?
Ele se calou, e apertou o volante com as mãos enquanto respirava fundo e se controlava, logo em seguida, ele deu partida no carro, dirigindo em alta velocidade, sem parar em sinais vermelho ou respeitar placas.
                                  
S/n: você é sempre assim?
Jakub: assim como?
S/n: tão infantil, imaturo e irresponsável!
Jakub: só por que eu to dirigindo rápido?
S/n: dirigir rápido é uma coisa, mais agora querer fazer cosplay do Paul Walker é bem diferente!
Jakub: por que você se importa tanto?
S/n: a minha vida depende disse não percebeu?
Ele ignorou o meu comentário e voltou a dirigir em alta velocidade, passando por vários semáforos e mais uma vez os ignorando, ate´que, de repente o carro para.
S/n: oque tá acontecendo? por que você parou?- é claro que eu devia me preocupar, estávamos em uma rua deserta, a chuva estava tão forte que ás vezes parecia que quebraria o carro com o impacto das muitas águas que caíam.
Jakub: algum problema com o motor... nessa chuva ele pode ter se danificado...
S/n: e oque você quer dizer com isso?
Jakub: que teremos que dormir aqui essa noite...
S/n: oque? não, isso não
Jakub: qual o problema?
S/n: você ainda pergunta?
Ele respirou fundo e disse:
Jakub: ok, eu vou tentar olhar o motor, mesmo nesse escuro e com essa chuva...
Ele saiu bufando do carro e abriu o carro observando o motor, e voltou logo em seguida.
S/n: e aí?
Jakub: não tem jeito... me desculpe por isso...
S/n: tudo bem...- disse mesmo sabendo que não tá nada bem, mais apenas pra não causar mais problemas pra ele- então... érr... boa noite!- Disse e me virei no banco de costas pra ele e fechando os olhos.
Jakub: boa noite!- ele tirou o casaco que usava e me cobriu
Por conta de meu intenso cansaço, eu adormeci rapidamente.
  
Jakub: SeuNome...
S/n: sim?- disse abrindo os olhos e me virando de frente pra ele, percebendo que ainda está de madrugada e parou de chover, olhei para o relógio que ele tinha no pulso e lá marca 5 a.m, fala sério, como ele ouça me acordar ás 5 da manhã?
Jakub: eu te amo...
S/n: oque?
Jakub: me desculpe estar no seu caminho sempre, mas tudo isso é por amor...
S/n: jakub, olha oque você tá dizendo...
Jakub: eu vi sei que eu fui um idiota durante essa noite inteira, mas eu tinha que te confessar isso, eu já não aguentava mais.
S/n: mas... eu
Jakub: shiii... não atrapalha o clima, de novo...
                                
O mínimo de consciência que eu ainda tinha me mandava falar tudo pra ele, dizer que ele nunca poderá ser correspondido, pra ele parar de se declarar já que nunca acontecerá nada, mas ele não me deixava falar, ele sempre me interrompe, meus pensamentos foram interrompidos pela respiração de Jakub se misturando a minha com a proximidade que ele estava, como ele se aproximou tão rápido? pensei enquanto um arrepio percorreu a minha espinha, mas dessa vez eu não o deixaria chegar a mais perto, eu tinha que impedi-lo.
S/n: desculpe Jakub, mas eu amo o Liam... me perdoe por favor
Jakub: oque? eu acabei de te dizer que estou perdidamente apaixonado e oque você me diz? que ama o liam? você sabe a gravidade disso?- ele diz com os olhos marejados
S/n: me desculpe... mais eu não escolhi o amar tanto, eu não queria que nada disso estivesse acontecendo...
Jakub: tudo culpa daquele desgraçado! seria melhor se ele não estivesse vivo!- ele cuspiu as palavras de forma agressiva
S/n: NÃO FALA ASSIM DELE! JAKUB, ELE NÃO TEM CULPA DE NADA DISSO... DEIXA ELE EM PAZ!
Jakub: sai daqui...
S/n: oque?- SAI DAQUI AGORA (S/N)! EU NÃO QUERO TE VER NUNCA MAIS!
S/n: v-você tá me expulsando do carro ás 5 da manhã em uma rua deserta?
Jakub: sim e qual o problema? se vira!- ele disse seco
                                                                    ~Narrador On~
Ao sair daquele carro, SeuNome pode sentir o seu corpo inteiro estremecer, o clima era dos mais frios, arrepios instantâneos se passavam por seu corpo a cada vez que algum vento frio chegava ao seu corpo, eram aproximadamente 5 da manhã, ela não tinha pra onde ir, já que não sabia aonde estava, só lhe restava 3 reais em seus bolsos, e nem com tantos perigos ela não voltaria, pois Jakub se mostrou muito mais frio e  insensível do que antes aparentava.
Jakub decidiu não segui-la, já que tinha certeza de que logo ela voltaria arrependida, mas nem lhe passava pela cabeça que durante o trajeto ela poderia ser pega, assaltada ou atacada, ele não pensava em nada disso.
SeuNome passou pela rua e entrou no centro daquela velha e desconhecida cidade, onde todos os lugares estavam fechados e nem sinal de pessoas, um simples barulho era capaz que fazer com que ela tomasse um tremendo susto.
Ela continuou andando até chegar em um posto de gasolina velho e abandonado, ela fechou os olhos e escorreram-se algumas lágrimas, ela não podia acreditar que Jakub a deixou sozinha só pelo fato de ela amar liam, e não podia acreditar que estava sozinha isolada, e talvez pedido o Liam para sempre.
                           
ela ajeitou aquele casaco ao corpo, que cobria suas mãos e ficava enorme em seu corpo, e sentou sobre o chão, encostando a cabeça em uma coluna do posto, logo ela fechou os olhos e relaxou.
O chão a sua volta estava molhado por conta da chuva, ela tinha sorte de ter achado um lugar seco pra se sentar, mas sua sorte era pouca, pois pouco tempo depois ela passou a ouvir passos pesados caminhando sobre aquele posto, que só eram audíveis graças aquela água da chuva que estava por toda parte.
Seu coração estava a ponto de sair pela boca, suas mãos tremiam e ela tinha medo de abrir os seus olhos e encontrar um assassino talvez.
-S/n? oque faz aqui?- aquela voz profunda soou como música aos seus ouvidos e seu corpo inteiro estremeceu e ela enfim abriu os olhos se deparando com ele, o seu herói naquela noite fria.
                            
S/n: L-liam?- um sorriso se formou m seu rosto- mas... c-como?
Liam: eu não aguentei mais ficar em casa, aquela briga que eu nem me lembro está na internet e já até subiram uma tag no twitter sobre ela... eu não to aguentando mais ver aquilo em todo lugar.
S/n: ...
Liam: você está bem?
S/n: você se importa?
Liam: é claro que sim
S/n: sabe Liam, eu ouvi coisas não muito boas sobre você hoje...
Liam: e quem foi que te disse essas coisas?
S/n: o Jakub
Liam: vindo daquele daqui eu já posso imaginar que é mentira- ele disse bufando de raiva- mas e você, acreditou nele?
S/n: no início eu tenho que admitir que tinha acreditado, mas agora, parando pra pensar em tudo, você não me parece ruim da forma que ele te descreveu.
Liam: gostei disso- ele disse sorrindo- você tem certeza de que está bem aí?
S/n: tenho...- dei um sorriso convincente- pode ir liam
Ele sorriu e se virou , e eu me ajeitei naquela blusa e fechei os meus olhos novamente, e ao abri-los pra ver se Liam já estava indo eu percebi que ele estava parado me observando.
S/n: você não vai?
Liam:  não, eu decidi ficar e cuidar de você...
Corei igual a um pimentão ao ouvir aquilo, acho que nunca ninguém me disse algo parecido, só o Liam pra ser fofo assim, e eu já sentia falta disso.
S/n: não precisa disso Liam, volta pra sua casa, lá você terá uma cama quentinha esperando por você, aqui nesse lugar frio e sejo você não tem nada.
Liam: errado, eu tenho o meu mundo- ele disse me olhando,o meu coração palpitou, e mesmo quase congelando naquele frio senti uma onda de calor percorrer por todo o meu corpo e um sorriso espontâneo brotar.
                                                   
Ele se sentou ao meu lado, em uma posição confortável, e eu fui fechando os meus olhos e sinto ele me abraçando, seus braços me protegendo e me mantendo aquecida, aquilo era maravilhoso, suas mãos fizeram um carinho no meu rosto de leve, e chegou a minha barriga e eu me arrepiei completamente, inalei o cheiro de seu perfume e percebi o tanto que era gostoso, era algo viciante, pude sentir algo quente no meu pescoço, era ele fazendo uma trilha de beijos entre o meu pescoço e na minha orelha, aquilo me causava sérios arrepios, ele então parou e eu admito que senti falta de seu toque, e então fechei os meus olhos e ele me disse um "boa noite princesa, eu te amo..." antes que eu dormisse.
            
Acordei por volta de 6 a.m, que ótimo só dormi 1 hora e meia, e ao procurar por Liam, notei que ele não estava lá, o frio estava pior, sempre que eu respirava a minha respiração saia fria e branca, e ainda caiam leves gotas de chuva algumas lojas estavam abertas e eu fui até uma loja de bebidas pra comprar alguma água com os 3 reais que me restavam no bolso, ao chegar na loja, entrei pela porta dos fundos pois a frente estavam cheia de pessoas, deve ter acontecido algum acidente.
Ao entrar na loja, ignorei todos os olhares daqueles homens sobre mim, e quando fui ao caixa um homem que fumava um charuto disse:
xxx- você é a causa daquilo ali?
S/n: oque?
xxx- ontem um garoto esteve por aqui, ele queria comprar algo especial pra uma garota por quem estava apaixonado, mas acabou sendo baleado por outro bem aqui na porta da loja, foi terrível...
S/n: você deve tá me confundindo com outra pessoa.
e então eu apenas paguei a água e saí logo.
Ao sair daquela loja, dessa vez pela porta de frente, pude ver aquele amontoado de pessoas  novamente, confesso que me preocupei, aquela área é tão cheia de crimes, assaltos e assassinatos. tenho muita pena de quem irá receber a triste notícia de perder alguém importante, só de imaginar isso, sinto um aperto no peito.
Eu fui passando por aquelas pessoas e chegar pelo menos a calçada, já que tinha vidros quebrados pelo chão e uma janela de uma loja quebrada, provavelmente foram tiros, a polícia chegou e eu observei tudo de longe, não tinha coragem de ver ninguém baleado de perto.
E um dos policiais disseram:
Policial: alguém pode me dizer o nome da vítima ou qualquer identificação?
xxx: eu sei, eu sei... eu o conheço de uma banda que a minha filha gosta... acho que é one direction- um homem alto disse
S/n: oque? - sussurrei pra mim mesma
Palavras não poderiam descrever a forte dor e a enorme pontada que eu senti naquele momento, senti algo latejando no meu peito, era o meu coração.
As palavras daquele homem estavam girando na minha cabeça e soaram dolorosamente como um alto som estridente, oque me faltava naquele momento era coragem... coragem de vê-lo naquele estado decadente.
Após respirar fundo por mais de 3 vezes e tentar acalmar o meu coração usando os meus pensamentos, eu enfim tomei coragem e resolvi ir até ele, e então corri até aquela multidão e empurrei algumas pessoas até chegar a vê-lo, e sim, era ele, Liam estava lá, naquele chão desacordado e com a camisa coberta por sangue, nem se parecia tanto com aquele Liam que me abraçou cuidadosamente e preferiu dormir no frio comigo do que me deixar sozinha, acho que nunca na minha vida irei esquecer aquela cena.
Ajoelhei-me ao chão, com as mãos levadas a cabeça, e chorando descontroladamente, eu queria gritar, surtar ou entrar em completo pânico, mas tudo isso seria em vão.
S/n: li...liam q-quem fez isso com você meu amor?- disse entre os soluços e a minha voz soou fraca, sabendo que não haveria respostas já que ele estava desacordado, ou morto talvez.
Naquele momento pude ver todos os momentos que tive com o Liam se passando na minha cabeça como flashs, e um enorme vazio tomou conta de mim
- eu sei quem fez isso... eu vi tudo- disse uma velhinha com uma criança nos braços
S/n: q-quem foi?- disse enxugando as lágrimas que escorriam impiedosamente por meu rosto por meu rosto enquanto eu soluçava.
-eu não o conheço, mas posso descrever alguns detalhes dele..- ela disse ajeitando a criança em seus braços
Policial: pode ser!
- bom, ele tinha pele clara, um cabelo grande, acho que meio caído nos olhos, olhos pretos e sorria diferente, acho que meio sínico...- meu corpo se manteve em um estado "pós-choque", ele parecia pesar e a minha cabeça latejava, os meus olhos queimavam, meu coração palpitava de dor, e eu já estava ficando tonta ouvindo tudo aquilo.
Policial: e ele chegou a dizer alguma coisa?
- sim, ele disse algo como "você vai pagar por tudo oque me causou" e os dois começaram a discutir alto.
O meu corpo inteiro se estremeceu, e eu estava tão nervosa que as lágrimas não saiam mais de meus olhos,eu estava completamente aflita, e naquele momento eu lembrei das palavras de Jakub na nossa discussão "tudo culpa daquele desgraçado! seria melhor se ele não estivesse vivo!" essas palavras ecooaram na minha cabeça e eu queria arrancar o meu coração á fora pra não sentir essa dor que estou sentindo e essa... culpa.
                                                
Hey Cupcakes, espero que tenham gostado do capitulo de hoje *-* comentem please :)